Arquivo de agosto de 2008

As Altas Habilidades são uma benção ou um fardo? Parte I

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Desde pequeno, até a 7ª série do Ensino Fundamental, sempre tirei 9 ou 10, quase sem o menor esforço. Sempre li muito desde pequeno, de 05 a 10 livros por semana. Lia às vezes, um livro de 300 páginas numa noite.

Depois de devorar os mais de mil livros da biblioteca particular do meu pai, parti para a do colégio em que estudava. No começo, as bibliotecárias pensaram que eu só pegava os livros e não lia, porque retirava dois livros num dia de manhã e devolvia na outra manhã. Em pouco tempo me chamaram na Diretoria para “dar satisfações” da constante retirada de livros.

Tirei da mochila os dois livros de umas 100 páginas cada um que ia devolver naquela manhã, coloquei na mesa da diretora e disse: “- A Sra. pode abrir qualquer livro e me perguntar alguma coisa sobre ele”. A Diretora me olhou e percebeu a mancada da bibliotecária e nunca mais me importunaram.

Lembro que quando tinha 11 anos, comecei a ler uma Enciclopédia Conhecer – hoje seria o equivalente a Enciclopédia Barsa, e a terminei inteirinha em 6 meses.

Até hoje, não sei se foi um bom ou mau negócio ter lido tudo aquilo. Parecia uma benção saber sempre de qualquer assunto que a professora apresentasse na sala de aula. Frequentemente já entendia mais que a professora, e geralmente atrapalhava a aula ou a constrangia, porque eu acrescentava inúmeros detalhes e explicações que nem ela sabia.

Aí, começaram os problemas. Enquanto os meninos e meninas brincavam, jogavam bola ou conversavam, eu lia livros, queria discutir ciências, eletrônica, astronomia, geografia, política, tecnologia, gramática e, é claro que não havia entendimento. Éramos crianças, mas eu já tinha conversas de adultos e não tinha adultos para conversar.

Nunca me considerei um superdotado ou gênio, apenas um leitor voraz.

Algumas professoras principiantes me davam “duras” na aula, me mandando ficar quieto e “deixar a turma aprender por si própria”, mas estavam tentando evitar de ser exposto o seu desconhecimento da matéria. Coitadas das estagiárias de magistério que passaram pela minha sala. Imagine você nervoso com o estágio e pega um aluno que sabe de tudo e aponta o que você havia esquecido ou errado na explicação.

Respondia provas escritas e orais só de ouvir a matéria explicada pelos professores. Os colegas sentavam longe de mim o mês inteiro. No dia das provas, quase se estapeavam para sentar ao meu redor. Era um momento feliz para mim. Eu me sentia importante e “querido” por eles. Só que estava redondamente enganado. Só estavam interessados em copiar minhas respostas.

Em dez minutos eu respondia tudo e ficava fingindo por quase uma hora e meia para que eles pudessem colar. Passadas as provas, tornavam a se afastar. Era um “conhecido útil” deles, não um amigo.

Quando fui ficando mais adolescente, comecei a perceber o tamanho do fardo que carregava, pois o distanciamento social e a discriminação do restante dos colegas aumentava exponencialmente. Ninguém tinha lido mais que 100 livros. Eu tinha lido mais de 2 mil. Pouquíssimos tiravam 10 em algumas matérias, depois da 4ª série. Eu tirava 10 em todas. Os colegas saiam passear e brincar em grupo, eu lia livros trancado em casa. Todo mundo se convidava para festinhas de aniversário. A mim, ninguém convidava.

A exclusão tornou-se evidente. Hoje falam do bullying nas escolas. Estão 30 anos atrasados… Os apelidos incomodavam: CDF, gênio, puxa-saco. Na 7ª série, comecei a tirar notas baixas propositadamente. Quase apanhei em casa. Não lia mais nada dos livros e matérias dos cadernos. Fingia que copiava a matéria do quadro-negro, mas só rabiscava.

Não entreguei trabalhos de disciplinas, ainda assim, conseguia nota para passar, sem nenhum esforço.

Minhas notas caíram, minha popularidade subiu. Estava dentro da média. Média bem baixa, diga-se de passagem, mas pertencia um pouco ao grupo.

Pena que tinha perdido uns 06 anos de convívio com as demais crianças.

Guarde bem seus recibos de pagamento para não ir parar no SPC ou Serasa

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Estava tranquilo, pois tinha fechado um acordo sobre uma dívida de minha esposa, após vários meses discutindo sobre a qualidade do serviço prestado pela empresa de cozinhas sob medida, tendo quitado o valor combinado de comum acordo com o Setor Financeiro, a exatos 4,5 anos atrás. Na época, tinha pego o recibo de quitação integral e dei o caso por encerrado.

É isso mesmo que você entendeu. Quatro anos e meio depois, a agora minha ex-esposa, aparece com restrição cadastral por não ter pago aquela renegociação.
E ela descobre isso na sexta-feira as 17:00 h. Me “elogiou” longamente pelo telefone durante o fim de semana e para variar, não sabia dizer como era a restrição, de que empresa era, se SPC ou SERASA.

Tive que esperar até segunda para consultar o SPC e o SERASA e descobrir o protesto no Cartório de Títulos e Documentos. De noite, procurei os recibos de pagamento da dívida e nada de achar.

Lembrei então que quando me separei e fiz a mudança para outro apartamento, peguei todos aqueles papéis velhos de vários anos e disse: “Vá lá! Para que guardar documentos e recibos pagos a mais de 02 anos? Se fosse para dar problema, já teria dado.”

Que mancada! A ex-mulher xingando que você não havia pago as contas dela e você sem os recibos para provar que havia pago.

Sorte a minha que ao ligar na terça para a empresa credora, deduzi pelas explicações do Setor Financeiro, que eles haviam tido problemas com o responsável do setor e depois haviam trocado de sistema, sendo que provavelmente encontraram o processo da dívida, mas não haviam encontrado o recibo de pagamento. Então, simplesmente lançaram no Cartório de Protesto.

Na confusão das tentativas de resolver o problema, minha ex, não pegou a Certidão Positiva de Protesto, que comprovaria a falha da empresa e poderia ser utilizada para exigir ressarcimento por danos morais, pelo constrangimento da restrição indevida.

E eu, pior ainda, havia jogado fora os documentos de quitação da dívida.

Na quinta-feira, ligo novamente para a empresa credora e me informam laconicamente que não havia nenhum registro daquela dívida. Afirmei então que o título estava protestado e que providenciassem a baixa, porque iriamos processá-los. Aí, a funcionária me informou que já haviam entrado em contato com o cartório.

Levou mais uma semana para baixar a restrição, sendo que minha ex, ao invés de ir ao Cartório para saber da baixa, ia na loja tentar comprar e todo dia seu crédito era negado pela restrição no Serasa. Passei a semana ouvindo impropérios pelo telefone, e então, ao ir ao Cartório me informam: “a baixa ocorreu a dois dias atrás”.

Tentei pedir uma certidão da baixa ou qualquer documento que comprovaria que a baixa se deu 4,5 anos após a quitação, mas fui informado que a empresa lançou a quitação com data de agora, como se tivesse sido pago só agora.

Para fins de SERASA e SPC, ficou registrado que minha ex-esposa era “caloteira” durante todo esse período.

E eu, por mais que tenha explicado o que aconteceu, fiquei mal na foto.
Talvez minha ex, ainda consiga processar a empresa por danos morais, mas por mim, já decidi. Agora, só jogo recibos fora depois de uns 10 anos.

O sorriso de uma Rainha ou sinal de um anjo?

sábado, 16 de agosto de 2008

Há algum tempo, estava em um beco sem saída, extremamente deprimido e cheio de problemas e, por várias vezes, pensei em desistir de lutar.

Quando tudo pelo qual você lutou e construíu, desmorona como num passe de mágica, fica difícil manter o equilíbrio.

Para minha surpresa, aconteceu algo muito estranho. Uma pessoa, quase que desconhecida, me deu um sorriso.

Era alguém com quem eu convivia à distância, aquela conhecida de vista, mas que acho que nunca tínhamos sequer nos cumprimentado com um “Olá”.

Naquele dia, eu estava no limite do precipício e encontrei-a casualmente numa feira. Ela era Rainha do evento e confesso que no começo, confundi um pouco as coisas.

Na hora do fato, me sentia como se meu cérebro estivesse em uma noite sombria, negra, sem perspectiva de nenhuma luz e então, de repente, alguém ligou um sol ofuscante e quente na minha cara.

Ela me deu um sorriso tão expressivo, que até hoje não sei se foi por obrigação de Rainha do evento, se foi por já me conhecer ou qual a real intenção.

Passaram-se longos meses, sem que a visse novamente, e as dificuldades não davam tréguas. Logo voltaram a turvar novamente esse sol de esperança que havia se instalado com aquele sorriso.

Casualmente, ou por obra do destino, retorno exatamente um ano após, ao mesmo local e na mesma feira, e lá esta ela novamente com a recepção calorosa do seu sorriso. Nem sabia que ela seria Rainha por dois anos.

Fiquei surpreso! Ela parecia saber cada vez que eu estava quase caíndo, e então, ela me dava um sorriso de esperança. Não sei a intenção desse sorriso, mas ele fez com que por duas vezes, o “véu negro” se dissipasse como mágica, deixando minha mente em um céu azul e ensolarado.

Os problemas continuavam, mas a minha mente ficava limpa e tranquila para enfrentá-los.

Entre a surpresa e a compreensão quanto ao motivo pelo qual essa pessoa teria dirigido o sorriso para mim, transcorreram-se outros meses em que não vi mais a pessoa.

Um dia, eu a vi caminhando na calçada. Pareceu coincidência, pois naquele dia estava bem desanimado. De alguma forma, ela parecia pressentir quando eu estava mal e aparecia, mesmo que após meses ou anos.

Poderia tê-la procurado para conversar, mas durante este tempo, tive que lutar arduamente para me reerguer e vencer os problemas.

Também não queria confundir as coisas e nem incomodá-la com meus problemas. Tinha que preservá-la. Achava que não devia lhe dar motivos para deixar de sorrir.

Até mandei flores para agradecer pelos dois sorrisos, e parece que acabei não sendo bem interpretado. Talvez um dia, crie coragem e lhe conte que seu sorriso tem mais poder do que imagina.

Hoje eu sei que aquele sorriso foi um “sinal divino” de que eu não estava sozinho como pensava, de que nem tudo estava tão ruim assim e de que eu ainda tinha alguma coisa a fazer por aqui, ao invés de me lamentar pelos problemas que eu tinha capacidade de vencer.

Sinto que não foram sorrisos artificiais e também não foram sorrisos de sedução. Foram sorrisos de esperança.

Acredito que quando o meu anjo da guarda percebeu que precisava de ajuda, chamou o dela e pediu:
- “Me ajude a fazê-lo não desistir, porque ainda há muito por fazer”.

Às vezes, lamento que só veja seu sorriso quando “me sinto mal” e chego a pensar que “talvez se eu ficasse bem mal, meu anjo chamaria o dela e poderia ver seu sorriso novamente”.

Por outro lado, se encontrá-la, pode ser sinal de que eu novamente não estou bem, e isso me faz evitar a possível aproximação. Isso parece coisa de adolescente, mas é o que eu sinto.

Talvez um dia eu possa ver JAT sorrir sem achar que eu esteja precisando de ajuda.

Por enquanto, minha gratidão eterna ao “anjo” ou à “Rainha”. Eles estão em minhas orações. Talvez um dia eu descubra o que realmente tudo isso significou.

Talvez até um dia possamos conversar sobre isso…