Arquivo de agosto de 2008

Gato falante ao telefone

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Era o primeiro inverno do nosso gato. Quando, de repente, desabou uma tremenda nevasca, tentamos achar Toby, chamando-o repetidas vezes e escavando a neve em volta dos degraus dos fundos, onde ele gostava de esconder-se.

Finalmente liguei para a delegacia para saber se alguém achara um gato. O sargento ouviu polidamente a minha queixa e asseverou-me haver casos de gatos que haviam sobrevivido a terríveis tempestades.

-“Toby - acrescentei num tom esperançoso - é excepcionalmente inteligente. Na verdade, ele quase fala.

-Nesse caso, meu senhor - retrucou o policial - desligue. Provavelmente ele pode estar tentando telefonar-lhe neste momento.

Como abracei as abelhas em um acidente no apiário

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Lidava com abelhas africanizadas há vários anos em uma propriedade rural e o apiário ficava em um capão no potreiro bem pedregoso e íngreme, com uma infinidade de pedras roliças soltas sobre a grama.

Como o agricultor não utilizava aquele pedaço do potreiro pelo excesso de pedras, autorizou-me a montar o apiário lá. Pensei em tirar as pedras para ficar mais seguro, mas eram tantas que desisti da idéia.

Foram vários escorregões e tropeços durante o período em que mantive as abelhas lá. Toda vez, eu tropeçava em uma pedra solta e quase caia. Na semana seguinte, a pedra mexida na semana anterior ficava no caminho e eu pisava sobre ela e quase rolava no chão. Só que era tanta pedra que eu as empurrava de um lado para outro, abrindo apenas um trilho para passagem.

Certa vez, já próximo da colheita de mel, os enxames estão enormes e trabalham incessantemente para colher o pólen e néctar. Estou dando a revisada final nas caixas, para na semana seguinte colher uns 300 kg de mel. Olha uma, olha outra e para chegar a quarta caixa, tenho que descer um desnível de meio metro.

Quando dou o passo para descer, a pedra que estava sob a minha bota, se solta da grama e eu caio para frente. A única coisa na minha frente é a caixa de abelhas e caio abraçado, derrubando-a no chão e rolando sobre ela.

Gente!!! Um ninho com duas melgueiras. Enxame enorme de umas 60 mil abelhas. As abelhas eram mansas, mas na hora, foi um inferno. Enquanto ainda me ajuntava do chão, meio atordoado e todo dolorido, fui ferroado por umas 30 abelhas. Em pouco tempo estava coberto de abelhas. Mal conseguia enxergar tirando as abelhas do visor da máscara com a mão.

As ferroadas se sucediam em todas as partes do corpo. Por sorte o macacão e a máscara não rasgaram. Levantei e ainda tive a presença de espírito de ajuntar o fumigador de fumaça e sair correndo. Enquanto abria o portão do apiário para sair, as danadas me alfinetavam as dezenas.

Corri uns 100 metros no potreiro limpo, todo estropiado do tombo e consegui chegar a um capão de mato. O gado que as abelhas encontraram no caminho, saiu em disparada pelo morro fugindo das ferroadas. Fazia uma fumaceira no meio das árvores, quase sufocando e nada delas voltarem para o apiário.

Embora estivesse longe e no meio do mato, as abelhas africanizadas que tinha levado no macacão e na máscara, continuavam a me ferroar. Então me bati de todo jeito e corri mais uns 100 metros até um paiol onde me escondi cerca de uma hora.

Não sei o que doía mais. Se as ferroadas ou o tombo nas pedras. Fiquei meio assustado ao tirar o macacão, pois parecia um cara com catapora gigante. Mas não tive nenhuma reação alérgica.

Fui à casa do agricultor e o cara me deu um gole de cachaça gelada para me acalmar e pasmem, me despejou cachaça gelada pelo corpo, para aliviar o “calor” das ferroadas. Isso aliviou a dor e meio que me anestesiou pelo cheiro de álcool . Também as abelhas depois não me incomodaram muito, tendo descoberto alguns anos mais tarde que os “pinguços” podem tirar mel sem nenhuma proteção, porque as abelhas parecem ficar anestesiadas pelo cheiro do suor de pinga.

Mais calmo, fui espiar de longe como as coisas estavam e ao ver que a caixa estava apenas espalhada pelo chão e não tinha se quebrado, esperei escurecer algumas horas e voltei ao apiário para ajuntar a caixa e remontá-la. Coloquei duas calças e duas blusas sob o macacão, preparei dois fumigadores de fumaça e encarei a batalha.

Levei mais umas 10 ferroadas, mas como estava meio anestesiado nem dei muita bola.

Quando cheguei em casa, minha mãe ficou apavorada e queria de toda maneira me levar ao hospital, mas eu não fui porque já tinha sido ferroado há mais de cinco horas e não havia nenhum risco de algo me acontecer. Depois de acalmada, contou 117 vergões de ferroadas no meu corpo.

Pena que na época, não tenhamos tirado uma foto, pois seria uma recordação muito legal. E dois dias depois, apenas tinha as 117 pontinhas de pús, onde havia sido ferroado.

Na semana seguinte voltei normalmente ao apiário e colhi 250 kg de mel. Por precaução, nem mexi naquele enxame para não irritá-las novamente.

Cuidados com a ferroada de abelhas ou marimbondos

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Escrevi um post entitulado Porque as abelhas melíferas atacam as pessoas e um amigo comentou que eu havia afirmado que havia tomado 100 ferroadas de abelhas num dia. Falou que não acreditava nisso.

Para esclarecer, realmente eu nunca tomei 100 ferroadas de abelhas africanas. Seu veneno é mais forte do que o das européias.

Eu tomei 117 ferroadas de abelhas africanizadas num grande acidente no apiário, há uns 15 anos atrás. E já era acostumado a levar 05 ou 10 ferroadas por semana. Além disso, não se pode dizer que tenham sido 117 ferroadas inteiras, porque a maioria das abelhas apenas conseguiram dar uma beliscada do ferrão através do tecido do macacão. Então, o veneno inoculado foi mínimo.

O contexto do post era de que 20 caixas de abelhas apis mellifera de raças européias (cerca de 1 milhão de abelhas) davam só uma ferroada numa pessoa, enquanto que uma caixa de abelhas africanas (30 mil abelhas) dariam 100 ferroadas nessa mesma pessoa. Nessa proporção, ser atacado por 20 caixas de abelhas africanas seria o mesmo que um atestado de morte ao apicultor.

Estudos científicos indicam que um ser humano pode suportar até 400 ferroadas, mas eu é que não vou fazer um teste desses. Acredito por experiência que pode ser verdade, porque quem é acostumado, suporta muito bem uma grande quantidade.

Também a formulação do veneno das abelhas africanizadas é uma mistura do veneno das abelhas européias e africanas, com uma “média intensidade” de risco.

É claro que utilizamos equipamentos de proteção como máscara, luvas, botas, calças e casacos ou macacão de proteção. Porém, em função do nosso clima mais quente, não podemos utilizar roupas muito grossas, porque já é quase insuportável trabalhar todo vestido a uma temperatura de 30° a 35° no verão.

Então, usamos roupas leves, com boa ventilação, e se a abelha for persistente e tiver a paciência de achar uma brechinha na fibras do tecido, ela ferroa mesmo. Também, às vezes, rasgamos acidentalmente o macacão ou a máscara e as abelhas entram pelo buraco e nos ferroam na perna ou na barriga. Como as européias são pacíficas, isso ocorre esporadicamente quando lidamos com elas. Lembrei agora de uma história engraçada que aconteceu comigo sobre isso. Leia O véu sumiu!

O normal de um apicultor é ser ferroado nas mãos, pois muitos preferem trabalhar de mãos nuas por causa da sensibilidade. Ainda assim, dificilmente levamos mais de 2 ou 3 ferroadas por semana. as abelhas preocupadas em coletar pólen e néctar, exercendo ainda a polinização das plantas, estão ocupadas demais para dar atenção ao apicultor.

Essas injeções esporádicas de veneno vão dando ao organismo do apicultor uma resistência impressionante ao veneno. Para quem é acostumado, o único sintoma que identifica que você foi ferroado é uma bolinha de pus do tamanho de uma cabeça de alfinete no local. Não incha nem quando leva na ponta do nariz (essa já aconteceu comigo). Depois vem uma coceira danada que as vezes deixa você em apuros, porque demora para passar. Para evitar essa coceira, costumo passar Bicarbonato de Sódio (aquele condimento para bolos) sobre a ferroada, logo após tirar o ferrão. Levo no bolso um potinho e quando sou ferroado, esfrego um pouco.

Já a dor inicial é sempre a mesma. Parece uma espetada de um arame em brasa que dá uma dor muito forte no local. Tome uma ou tome 200 ferroadas, a dor de cada uma é sempre a mesma. A diferença é que para quem é acostumado a dor passa meio minuto depois.

Já para as pessoas não acostumadas ou para os alérgicos ao veneno das abelhas, uma única ferroada pode até matar, porque provoca reação em vários órgãos, podendo levar ao fechamento da glote (não consegue respirar) e choque anafilático. Exemplo do meu tio, que queria lidar com abelhas, mas a cada ferroada ele tinha calafrios, inchaço enorme e depois ele coçava até sair sangue. Levou uma ferroada a cada semana e depois da terceira, abandonou a atividade.

Se você levar outra picada, procure tirar o ferrão com a unha ou com uma faca, sem apertar a bolsa de veneno (que injetará todo o conteúdo no seu organismo). Feito isso, aplique o Bicarbonato de Sódio e depois aplique gelo no local. Também pode aplicar pomadas anti-alérgicas no local. Lembre-se: a dor vai passar alguns minutos depois e o inchaço e a coceira desaparecerão em meio dia. Use gelo para aliviar. Não se apavore.

Para quem nunca tomou ferroadas e não sabe se é alérgico, fique atento. Se você não sabe sua reação, avise as pessoas próximas sobre o fato de nunca ter sido ferroado por abelhas ou marimbondos. Tem gente que acha que é frescura, mas o alérgico realmente pode morrer por uma única ferroada, porque somente poderá ser salvo se chegar a tempo num hospital e for medicado. Se as pessoas próximas não se derem conta disso, pode ser tarde demais.

No caso específico de marimbondos, o problema é mais grave porque além do veneno ser mais forte, o marimbondo pica diversas vezes a mesma pessoa porque seu ferrão não saí do corpo como ocorre com a apis mellífera, que morre ao ferroar a primeira vez.

Em breve, posto as histórias engraçadas sobre isso.

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