Arquivo de setembro de 2008

Dica 204- É impossível deixar de ser fiador do FIES sem trocar por outro novo fiador

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

É isso mesmo!

É impossível deixar de ser fiador do FIES, se o estudante não apresentar outra pessoa para substituir o fiador que quer sair/ ser exonerado/ excluído ou qualquer coisa semelhante.

Para substituir o fiador antigo e incluir um novo fiador do FIES, não é necessário nem comunicar o antigo e tampouco comunicar antecipadamente ou formalmente a Caixa Federal.

Basta o estudante ir na agência da Caixa Federal onde assinou o contrato e entregar a documentação do novo fiador. O estudante e o novo fiador vão assinar um Termo de Substituição do Fiador do FIES. Após essa assinatura, o antigo fiador esta livre da dívida.

Agora, se a pessoa é fiadora e quer desistir de ser porque não quer mais ou porque o estudante não paga, É IMPOSSÍVEL deixar de ser fiador.

Mesmo que o fiador não assine mais o aditamento semestral, se o estudante não apresentar um novo fiador, o fiador antigo ficará “amarrado ao contrato” até o pagamento da última prestação, ou seja - até a liquidação da dívida.

Se o estudante apresentar outro fiador, o novo fiador assume a integralidade da dívida, eximindo então o antigo fiador da garantia. Mas somente nesse caso.

Em síntese, quando você assume uma FIANÇA, significa que até a dívida não ser paga ou o devedor apresentar OUTRO FIADOR que assuma a garantia dessa dívida, a única maneira maneira de sair é liquidando o contrato.

Não se deixe iludir por promessas de que é possível ser excluído judicialmente ou que “a prima do vizinho da tia da empregada do bisavô do meu parente que estudava em Angola conseguiu”.

É pura conversa fiada! O mais provável é que o estudante tenha apresentado outro fiador que concordou em já sair devendo os atrasados. Geralmente é um parente ou os pais do própio estudante devedor.

Você somente poderia ser excluído se comprovasse ter sido obrigado a assinar sob a ameaça de uma arma (e todo semestre em cada aditamento / renovação).

Como isso é meio brabo de acreditar, esqueça a possibilidade e prepare o bolso.

Se você achou o assunto deste post relevante, comente.

O maior problema das Altas Habilidades não é estimular o Portador - Parte III

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Outro problema enfrentado logo no principiar da vida do Portador de Altas Habilidades – PAH, refere-se a grande frustração ao perceber que “seus ídolos” (pais, professores, avós, tios queridos, amigos, heróis de desenhos) também são muito lentos no aprendizado e às vezes burros, porque ela, embora criança já sabia há meses do assunto e o seu “exemplo de referência” nem entendeu a pergunta sobre o assunto.

Já pensou no que um adulto sente quando “a sua fonte de referência lhe falta ou fica desmoralizada”? Como fica uma criança que percebe que seus “guias de referência”, seus “heróis”, seus “mestres”, são menos capazes que ela?

- “Ah! O vô é legal, mas ele não sabe nada do que eu pergunto!”

- “Mamãe é o máximo, mas quando pergunto alguma coisa da escola, ela não sabe nada.”

- “Papai é legal, mas não entende nada do que eu falo!”

- “Meus amiguinhos são legais, mas só querem brincar de futebol, carrinhos e figurinhas. Eu quero fazer experiências e falar sobre animais, plantas, rios, astronautas e outros assuntos interessantes.”

- “A professora é bonita e querida, mas ela me manda ficar quieto quando eu pergunto alguma coisa que ela não sabe.”

- “O Super-Homem é de mentira porque eu aprendi na escola que não dá para respirar embaixo d’água.”

Constatações como essas vão se multiplicando em seu cérebro. Noções de respeito à autoridade, respeito e consideração ao próximo, obediência e humildade vão caindo uma a uma, pela auto-constatação, mesmo que equivocada, de que ela, a criança PAH, é mais inteligente que o amiguinho da mesma idade. É mais inteligente que o irmão maior, é mais inteligente que o pai, mãe, avós, tios e vizinhos. E o que falar da professora que haviam lhe dito que iria lhe ensinar?

Como ter respeito e consideração por pessoas que sabem “menos que ela”?

A admiração é um dos pilares do relacionamento humano. Se você der carinho, qualquer criança vai adorar e gostar de você, mas a criança admira e portanto respeita, quem lhe dá mais do que isso.

Ela quer sua orientação sobre a vida, sobre a escola, sobre as figurinhas do álbum, sobre como brincar e montar os brinquedos. Ela quer trocar informações sobre suas coisinhas, importantes para nós ou não. Ela quer “um guia”, um “referencial do quê e de como fazer”.

Essa pessoa que lhe dá uma “luz”, um “caminho a seguir”, pode ser o tio legal, o pai, a mãe, um vô ou vó. Essa é a pessoa que ela respeita e que gosta de estar próxima, porque lhe ensina e estimula.

A criança PAH é 10 vezes mais exigente nesse ponto, já que quer alguém que lhe traga sempre algum novo desafio (sejam micagens, piadas, mágicas, desenhos, lápis coloridos, recortes, brinquedos, livros, atividades ou simples conversas).

Quando um adulto não representar alguém de quem ela possa obter alguma “informação ou novo conhecimento”, ela aceita a adulação (carinho), mas se manda para longe daquele “meloso”, porque ele não lhe acrescenta nada. Ele não é interessante!!!! Seja o pai, mãe ou a professora.

Já o filho do vizinho (normal ou até “meio burro”, mas arteiro e mais velho) que vive fazendo experiências e traquinagens passa a ser a “referência a ser seguida”.

Ele acrescenta ao PAH novas experiências, transpõe os limites não compreendidos pelo PAH, porque mesmo que seja de maneira irresponsável, o amigo mais velho permite ao PAH soltar sua criatividade e testar seus conhecimentos e dúvidas, seja soltando o gato da janela para ver se cai nas quatro patas, seja colocando uma bombinha para estourar numa lata ou colocando fogo em alguma coisa.

O pai que só quer jogar bola ou andar de bicicleta, não é um “cara legal”. Ele faz coisas normais.

Dessa busca por referências de conhecimento e de testar os limites e conhecimentos adquiridos, surge o fato de muitas vezes, os Portadores de Altas Habilidades – PAH serem confundidos com crianças arteiras ou “impossíveis”.

Jogar o gato pela janela do apartamento para um adulto é uma maldade sem tamanho. Para a criança PAH é “uma experiência científica” para validar a informação que obteve, mas que ela tem dúvidas se realmente o gato cairá sobre as quatro patas.

- Pobre bichano!!!!

Na verdade, estão atrás de um referencial de conhecimento. São traquinagens para a sociedade, mas para ela são validações e experiências para novos conhecimentos e desafios ao statu quo que não é compreensível ou aceitável sob sua ótica . O normal, o corriqueiro ela já sabe. Ela quer é investigar por si própria o limite ou a veracidade das informações.

Pelo lado do Portador de Altas Habilidades, todas estas questões podem ser administradas através de acompanhamento profissional de psicólogas ou pedagogas, além do envolvimento da própria família, que deve preparar-se para longos anos de muitas vitórias sobre desafios impensáveis, mas também de fartas frustrações do PAH.

Talvez, em função das condições financeiras da família seja mais difícil ou até impossível bancar o acompanhamento profissional, mas os pais e familiares podem obter informações suficientes para proporcionar um ambiente aceitável, prazeroso e estimulante para o desenvolvimento do PAH, que se possuir um “porto seguro” em sua casa ou família, enfrentará com mais ânimo e coragem as rejeições e frustrações com a sociedade.

Restam os problemas e as frustrações do ambiente extra-familiar, que trataremos nos próximos textos.

O maior problema das Altas Habilidades não é estimular o Portador - Parte II

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Como o Portador de Altas Habilidades - PAH vai se adaptar ao ritmo mais lento de aprendizado de qualquer grupo não-PAH que conviver (e serão centenas durante sua vida) e como vai lidar com a rejeição e agressividade desses grupos.

Este deveria ser o “X” das pesquisas sobre Altas Habilidades!

Como uma criança Portadora de Altas Habilidade - PAH “compreenderá e aceitará a diferença desfavorável dos outros”, já que ela desde cedo apresentará evolução muito superior aos de sua idade e até comparado à jovens e adultos de suas relações próximas.

Ela manuseará aos 2 anos, um controle remoto de DVD enquanto o avô de 70 anos, nem sabe ligar o aparelho. Ela, apenas de olhar o pai fazer, desmontará uma caixinha de música com parafusos de “relógio”, com a chave Philips.

Atualmente, se tiver acesso à Internet, ela terá conhecimentos ilimitados sobre variados assuntos, os quais uma criança normal levaria até o Ensino Médio para adquirir. Ela aprenderá algo na escola em uma simples explicação, enquanto o resto da turma levará meses para assimilar o mesmo conteúdo.

Como será seu raciocínio já que “ela aprendeu com uma explicação, ou duas, no máximo”, enquanto os outros coleguinhas demoraram meses?

- “Porque eles são tão burros?” deve ecoar por muitos anos em sua cabecinha!

E o conceito de “burro” não foi ela que criou. Ela aprendeu por ouvir adultos ou crianças se referindo a quem “não aprende rápido”.

Isso vai gerar uma frustração enorme (que cresce exponencialmente), já que na maioria dos fatos que ocorrerem em sua vida, a diferença de velocidade de aprendizado ou de conhecimento será claramente perceptível.

Ela estará sempre tendo que freiar seu intelecto ou dispersar-se em outra atividade para permitir que seu grupo a acompanhe e aceite. Afinal, desde novinha sofrerá pressões, não para desenvolver-se, mas para tornar-se “normal”.

Ela aprenderá uma brincadeira em minutos, os outros precisarão de dias. Ela aprenderá a taboada em dias, enquanto alguns colegas chegarão à faculdade contando nos dedos. Ela compreenderá um filme na primeira sessão, enquanto que um adulto não conseguirá entender. Ela aprenderá coisas via TV ou Internet que seus pais nem sonham existir.

Aos poucos e a custa de muitos atritos, ela terá que se conformar em diminuir o ritmo para não ser excluída.

Como entender que precisará esperar um semestre ou um ano para aprender coisas “do ano seguinte”? E quando chegar o começo do 2° ano, e ela já estiver no nível de fim do 3° ano!? E aquela interminável 5ª re-explicação da professora sobre um assunto que ela já sabia?

Se reclamar, leva “esporo” da turma e dos próprios professores, pois são poucos os professores, ou poder-se-ia dizer: - “Conta-se nos dedos, os professores de um estado que tenham didática para lidar com um PAH.

Rapidinho, um promissor PAH pode tornar-se um “eminente problema escolar” pela inconformidade e dispersão do seu intelecto, obrigado a adaptar-se aos “normais”.

Seja por pressão dos próprios pais, colegas ou professores ou pela própria percepção do Portador de Altas Habilidades, que ansiará por inserir-se no grupo.