Arquivo de agosto de 2009

Dica 301- Porque um estudante é selecionado no FIES e outro não

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

A seleção do FIES é totalmente informatizada, segundo os critérios técnicos definidos pelo MEC que segue a Legislação vigente para o FIES. E os estudantes pré-selecionados são os estudantes que ficaram com o maior índice de carência financeira e social.

Não há interferência da Caixa Federal, MEC, Universidade, políticos ou quem quer que seja. É puramente o processamento das informações que todos candidatos colocaram na Ficha de Inscrição para aquele semestre.

Os critérios de seleção envolvem renda; quantidade de pessoas da família; se tem outro estudante cursando na família; raça; doença grave na família; se paga ou não aluguel e vários outros critérios que fazem a classificação do estudante “melhorar ou piorar.” E não dá para “inventar” porque se mentir na hora de prencher a Ficha de Inscrição e for Pré-selecionado, depois pode ser excluído definitivamente do FIES pela Universidade na hora da Entrevista do FIES.

E nenhum estudante ou quem quer que seja, terá como saber se entre os 200 ou 300 estudantes de um curso naquele semestre, qual vai se inscrever; qual tem doença na família; qual tem ou não casa própria. Isso só será possível saber depois que todos se inscreverem e o sistema classificar essas inscrições. Pode até acontecer que o estudante mais carente nem se inscreva “achando que é marmelada” e acabe deixando a vaga para outro que é menos carente que ele.

Também não dá para dizer que essa ou aquela renda “dá direito ao FIES” ou “que quem tem renda acima de XX não adianta nem se inscrever no FIES”. Como a renda é analisada entre os inscritos naquele processo seletivo (ou semestre), num semestre o estudante pode ficar 10 posições atrás das vagas concedidas no curso e no semestre seguinte ficar entre os primeiros mais carentes (dentro das vagas - e isso ocorre muito frequentemente).

Se naquele semestre todos os estudantes inscritos em um curso tiverem renda de (vamos exagerar) R$ 20 mil por mês, ainda assim, o sistema classificará eles de acordo com o grau de carência e concederá FIES para as vagas existentes.

Esse é um ponto de confusão frequente, pois envolve a questão da “renda máxima para se inscrever”. Para o estudante de um curso de Letras ou Administração, com mensalidades mais baratas, a “renda familiar costuma ser bem menor”, pois a necessidade de recursos para pagar a faculdade é menor. Assim, a definição de “carente de um curso mais barato” é diferente do “carente” de um curso mais caro.

Por exemplo, no caso de um curso de Medicina ou Odontologia, o valor da Mensalidade costuma ser o valor do semestre de um curso de Letras ou Administração.

Isso faz com que o estudante considerado carente em Medicina possa ter uma renda do grupo familiar de R$ 10 mil mensais (e seria considerado um Marajá nos cursos de Letras) e ainda assim, ser selecionado como carente pelo FIES. O que vai determinar se ele vai ser selecionado ou não, é “o grau de carência do conjunto de inscrições do curso de Medicina para aquele semestre”.

Por exemplo, se nesse semestre de inscrição todos os outros inscritos no FIES para Medicina tiverem renda familiar superior a R$ 11 mil, esse estudante do exemplo que tem renda de R$ 10 mil mensais, será considerado o mais carente.

Agora, se nesse mesmo semestre houver outro estudante inscrito no FIES em Medicina que também tenha renda de R$ 10 mil e tenha uma pessoa com doença grave na família (devidamente comprovada), ele ficará antes do nosso candidato que tem renda de R$ 10 mil. Então, se na Universidade tiver apenas 01 vaga para o FIES, o segundo colocado, embora “seja carente”, ficará de fora porque tinha outro estudante mais carente que ele (o que tem doença grave na família)”.

Outra questão a ser considerada é o número de vagas disponibilizadas para cada curso. De maneira bem simples, sem entrar em detalhes técnicos e para facilitar o entendimento, essa disponibilização de vagas por curso variam em função da:

  • disponibilidade de recursos do MEC para o semestre;
  • dos critérios de distribuição de vagas por áreas de atuação - ex: pode ser necessário para o país, formar mais professores do que engenheiros aeronáuticos. Então, libera-se 10 mil vagas para Pedagogia e 10 para Engenharia de Aeronáutica;
  • da necessidade de profissionais para uma região - mais médicos para o Norte e menos para o Sul;
  • do ajustamento de vagas dentro da Universidade - no semestre anterior se formaram 30% dos estudantes que tinham FIES. Logo, essas vagas ficam disponíveis para o semestre seguinte e então, abrem dezenas ou centenas de vagas excedentes no semestre;
  • ou de maneira semelhante, ocorre sobra de vagas em um curso (não há candidatos inscritos ou habilitados na Entrevista de um curso) e essas vagas são distribuídas de maneira automática para outros cursos. Aí, na última hora, o sistema abre uma ou mais vagas extras em determinado curso.
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