O maior problema das Altas Habilidades não é estimular o Portador - Parte I

Entre as centenas de trabalhos e publicações envolvendo os Portadores de Altas Habilidades - PAH, figura quase sempre, como assunto principal, o desenvolvimento de metodologias de “estímulo e inclusão”, principalmente no ambiente escolar.

Embora concorde que o aperfeiçoamento desse estímulo é realmente necessário e deve ser objeto de melhor elaboração, planejamento e implementação, acredito que o foco principal das pesquisas sobre Altas Habilidades deveria ser o de “como fazer um ser humano tão diferente inserir-se em um mundo tão igual”.

Não se trata de considerar o Portador de Altas Habilidades como superior, de uma casta e de que o resto é inferior.

Trata-se de reconhecer que num mundo onde predominam os conceitos de “adequação aos padrões” e de “conformidade social”, e que alguém que fuja um pouco aos padrões já sofre discriminação, imagine um PAH que extrapola todos ou a maioria dos padrões e conceitos sociais pré-estabelecidos.

Seja por inveja, receio, frustração, despeito, auto-defesa ou mesmo pura maldade, a discriminação, perseguição e exclusão social corre solta entre crianças, jovens e adultos em relação a um PAH.

Essa exclusão ou discriminação começa na infância, já que o distanciamento de interesses da criança PAH e os “normais” da sua idade vai crescer exponencialmente, mesmo que nem receba estímulos para se desenvolver.

É algo meio “de pele”. “Coisa de simbiose.”

A criança PAH vai se desenvolver, absorvendo conhecimento ou executando coisas como “se já tivesse nascido com isso dentro dela”. Seja por já nascer sabendo ou seja por aquisição, o conhecimento e/ou habilidade vai se incorporando ao seu ser.

Então, o maior problema não é estimular seu dom. Na maioria dos casos, não é a falta de estímulos que poda a criança. Sua evolução é meio que automática e embora seja difícil saciar os interesses de uma criança PAH, hoje já existem centenas de recursos didáticos, tecnológicos e recursos de apoio que tornam mais fácil atender essa demanda.

O maior problema mesmo, é como o Portador de Alta(s) Habilidade(s) vai conviver com um mundo avesso a “inconformidades” e “ameaças ao statu quo” do ambiente no qual esta inserido.

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