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Fábula Indiana dos Cegos e o Elefante

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Certo dia, um príncipe indiano mandou chamar um grupo de cegos de nascença e os reuniu no pátio do palácio. Ao mesmo tempo, mandou trazer um elefante e o colocou diante do grupo.

Em seguida, conduzindo-os pela mão, foi levando os cegos até o elefante para que o apalpassem. Um apalpava a barriga, outro a cauda, outro a orelha, outro a tromba, outro uma das pernas…

Quando todos os cegos tinham apalpado o paquiderme, o príncipe ordenou que cada um explicasse aos outros como era o elefante.

Então, o que tinha apalpado a barriga disse que o elefante era como uma enorme panela. O que tinha apalpado a cauda até os pelos da extremidade, discordou e disse que o elefante se parecia mais com uma vassoura.

- “Nada disso”, interrompeu o que tinha apalpado a orelha. “Se ele se parece com alguma coisa é com um grande leque aberto.”.

O que apalpara a tromba deu uma risada e interferiu:

- “Vocês estão por fora. O elefante tem a forma, as ondulações e a flexibilidade de uma mangueira de água…”
- “Essa não”, replicou o que apalpara a perna, “ele é redondo como uma grande mangueira, mas não tem nada de ondulações nem de flexibilidade, é rígido como um poste…”

Os cegos se envolveram numa discussão sem fim, cada um querendo provar que os outros estavam errados, e que o certo era o que ele dizia. Evidentemente cada um se apoiava na sua própria experiência e não conseguia entender como os demais podiam afirmar o que afirmavam.

O príncipe deixou-os falar para ver se chegavam a um acordo, mas quando percebeu que eram incapazes de aceitar que os outros podiam ter tido outras experiências, ordenou que se calassem.

- “O elefante é tudo isso que vocês falaram, explicou. Tudo isso que cada um de vocês percebeu é só uma parte do elefante. Não devem negar o que os outros perceberam. Deveriam juntar as experiências de todos e tentar imaginar como a parte que cada um apalpou se une com as outras para formar esse todo que é o elefante.”.

Moral da estória:
A experiência das coisas que cada homem pode ter é sempre limitada. Por isso, a sensatez nos obriga a levar em conta também as experiências dos outros para se chegar a uma síntese.

A pessoa, o ser humano, apresenta muitas facetas, Existe o risco de polarizar a atenção em alguma delas, ignorando o resto. Fazendo isso, estaríamos repetindo os cegos da parábola. Cada um ficaria com uma visão unilateral e parcial.

Para obtermos uma visão o mais integral possível do que é uma pessoa, devemos reunir, numa unidade, os numerosos aspectos que podem ser observados no ser humano. É o que devemos tentar fazer, cientes, porém, de que uma visão completa, como diria o príncipe indiano, é sempre impossível.

Escovar os dentes ou barbear os dentes?

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

E o cara atrasado passa por cada uma!?!?

Acordo hoje, cheio de preguiça. Olho para o relógio no criado e dou um pulo. Dez para as dez da manhã. Perdi a hora. O despertador enguiçou ou ficou desligado.

Três horas atrasado. Mil coisas para fazer. Post para fazer, cartório, trabalho, compras, médico. Tô ferrado!

Em outro pulo, estou dentro das roupas, um pé calçado, outro serpenteando pelo chão a procura do outro pé do sapato. Enquanto isso, me movimento em direção ao banheiro.

Chego na pia, olho pra cara de sono e lavo a cara numa esfregada de quase tirar o nariz. Pelo menos acordei com o chacoalhão. Enquanto uma mão seca o rosto com a toalha, a outra procura a pasta de dentes e a escova dentro da espelheira.

Nunca treinei isso, mas consegui por a pasta na escova sem ver e acelero na escovação. Enquanto isso, a outra mão já penteia o cabelo. Tudo corria dentro do tempo, aliás, pouco tempo.

Em 01 minuto, a boca cheia de espuma, começa um formigamento, um gosto gosmento de óleo, misturado com hortelã.

Será sabor novo de pasta de dente? Algum novo ingrediente milagroso? Ainda escovo uns 30 segundos tentando descobrir a origem das sensações estranhas na boca. De repente, como uma criança que faz caretas quando não gosta do remédio, começo a contorcer a boca, cuspir a espuma, ânsia de vômito. Enxáguo umas dez vezes a boca. Bebo água. E nada do gosto horrível sair da boca. Parece anestesia de dentista e, ainda com gosto de gosma.

Olho a escova – esta limpinha e é quase nova. Pego a pasta de dentes, ainda com a boca ardendo, e olho a validade, aspecto, cheiro, até experimento para ver se esta estragada. E nada! Tudo em ordem.

Já se passaram 05 minutos. O atraso será maior. E o gosto horrível continua…

Finalmente, achando que tinha escovado os dentes com algum bicho ou coisa parecida, vou guardar a escova e vejo a bisnaga do Creme de Barbear. Mesma cor da bisnaga da pasta de dente. E a pasta de dente, ali ao lado. Esta explicada a canastrada.

Usei o creme de barbear para escovar os dentes. Apesar do gosto horrível na boca, que durou uns dois dias, não consigo deixar de rir quando me lembro. Essa servirá para contar para os netos. E para vocês também.

Então, já sabem. Até dá para perder a hora, mas olhe sempre para o que vai por na boca.

Gato falante ao telefone

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Era o primeiro inverno do nosso gato. Quando, de repente, desabou uma tremenda nevasca, tentamos achar Toby, chamando-o repetidas vezes e escavando a neve em volta dos degraus dos fundos, onde ele gostava de esconder-se.

Finalmente liguei para a delegacia para saber se alguém achara um gato. O sargento ouviu polidamente a minha queixa e asseverou-me haver casos de gatos que haviam sobrevivido a terríveis tempestades.

-“Toby - acrescentei num tom esperançoso - é excepcionalmente inteligente. Na verdade, ele quase fala.

-Nesse caso, meu senhor - retrucou o policial - desligue. Provavelmente ele pode estar tentando telefonar-lhe neste momento.