Fiquei sabendo que um rapaz de 20 e poucos anos havia ficado viúvo da jovem esposa e estava desempregado, com 05 filhos pequenos. Uma escadinha de 2, 3, 5, 6 e 7 anos. O maior frequentava a escola e quando encontrávamos sua professora ela sempre nos contava:
- “Hoje ele contou que dormiram os 06 juntos para se esquentar (noite mais fria do ano).Hoje ele não tinha casaco (ou sapatos) e estava muito frio. Hoje ele não tinha merenda e eu dei a minha para ele. Hoje os colegas dividiram a merenda com ele. Hoje ele contou que ficaram sozinhos em casa porque o pai foi procurar emprego e só voltou a noite. Almoçaram pão e água.”
Ficamos comovidos. Ligamos para a assistência social do município e me responderam que já tinham “pobres demais”. Mandaram o pai se cadastrar no Bolsa Família (que após 05 anos ainda não chegou).
Resolvemos ajudar. Reduzir nosso gasto com supermercado e auxiliar a família. Não tinham cobertores e nem móveis básicos. Ajudamos no que pudemos e levamos vários ranchos durante meses. As crianças ficaram apegadas a nós. Os pequenos diziam: “Tio, rezei para o senhor ontem a noite.” Só isso, já compensou tudo que fizemos.
Cerca de 1,5 anos depois, descobri que o pai fora preso por tráfico. Na falta de emprego, partiu para um ramo mais “acessível” a quem não tem acesso à dignidade humana. Auxiliamos mais um tempo e aí, a avó das crianças mudou-se de outra cidade para cuidar das crianças. Era aposentada e podia dar algum sustento aos pequenos.
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