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O estímulo da curiosidade e o exemplo para os bebês

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Hoje, respondendo a uma pergunta da Sra. Juliana, lembrei da história em que um humano ajuda uma borboleta a sair do casulo, achado que ela estava com dificuldades, e ela passa a vida inteira atrofiada, sem voar, porque não passou pelos processos normais criados pela natureza para o seu nascimento.

A pergunta referia-se ao fato da sua bebê de 11 meses já estar caminhando de andador, sem ter engatinhado ainda. E que estava preocupada com isso.

A história da borboleta transmite claramente o que acontece quando não passamos pelos processos de evolução e crescimento que a natureza nos destinou. Apenas ela exagera em demasia o efeito final desse processo de intromissão humana.

De maneira geral, a criança forma primeiro força nos bracinhos (tenta pegar móbile, brinquedos), depois no tronco (fica de barriga p/ baixo e ergue cabeça, fica no colo sentada), depois nas perninhas (se empurra no berço ou colo, e se arrasta- engatinha) e depois coordena o processo todo junto, que seria ficar de pé. Aí, começam os passinhos auxiliados e depois o equilíbrio, quando então caminha sozinha.

Embora sejam comuns em todas as crianças, cada uma tem seu tempo e necessariamente não passam por todas as fases ou nessa ordem exata. Quando ela passa uma fase antes da outra, até nem tem muito problema, pois elas são bem adaptáveis e podem recuperam-se bem desses processos, se as ajudarmos a voltar e passar por essas fases quando ainda são bem pequenas.

O que pode prejudicar um pouco a criança é, por exemplo, colocá-la para caminhar antes do tempo ou ser obsessivo na insistência de que ela faça alguma coisa para a qual ela ainda não esteja preparada ou para a qual não a preparamos através do nosso exemplo.

Ela até poderá fazer, mas estaremos criando uma borboleta com alguma parte das asas atrofiada ou já com alguma complicação quando atingir uma idade maior, simplesmente porque não deixamos a natureza seguir o seu curso, aperfeiçoado em milhares de anos de evolução.

É como a atitude de escovar a gengiva e os dentinhos antes mesmo deles nascerem. Faça isso, e o bebê vai ter mais saúde e não vai ver problema algum em você escovar ou massagear sua boca quando os dentinhos estiverem apontando e ele tiver febre e desconforto com isso.

Agora, nunca escove sua gengiva e seus dentinhos desde bebê e tente fazer isso, só quando tiver 2 anos. Será uma guerra de nervos, nos quais, você vence a disputa por insistência e pela autoridade, mas você perde vários anos de vida pelo stress de transformar um ato que seria uma brincadeira em uma verdadeira sessão de choro, berros e mordidas. E pior de tudo, já poderá ter comprometido a dentição do bebê.

No fundo, somos apenas animais com cérebro mais desenvolvido e nosso desenvolvimento envolve aprendizados que passam por “pequenos sofrimentos dos bebês ou poderíamos dizer, desafios para eles”.

E o que estimula essa vontade de “sofrer um pouco e se esforçar” para o bebê fazer algo (aprender uma nova tarefa) é a curiosidade de pegar, ver, cheirar e o exemplo dos pais, os quais ele tenta imitar nas mínimas coisas. Claro que a gente não percebe tudo, porque eles são pequenos, ainda não falam e não tem tanta coordenação motora. Mas, se falassem no primeiro dia, veríamos eles repetir cada gesto e frase que as pessoas próximas fazem.

Dê ao bebê tudo que ele balbucia ou indica e ele não vai ter vontade de falar ou de ir lá pegar. Pergunte cada pouco: - “Quer água, mamam, xixi, cocô, colo, e todo o resto!” – e ele nunca vai criar independência e crescer como pessoa. Quando estiver adulto, ainda vai estar esperando que a mãe/pai lhe diga o que vestir, que lhe traga o que comer, que lhe diga qual a hora de ir ao banheiro ou de tomar banho.

E também não dê tudo à mão ou na mão do bebê. Cuide com carinho, mas imponha pequenos desafios, como colocar a mamadeira de água/suco uns 10 centímetros longe da mão dele. E se ele balbuciar ou apontar, não lhe alcance. Diga carinhosamente: - O que o bebê quer? … (pausa) Quer água?….(pausa) Pega aqui na mamadeira!…(pausa) e só então lhe dê água. As pausas servem para que ele seja estimulado a dizer “água”, “sim” e “que se movimente para pegar a mamadeira”. Uma semana de estímulo de pausas e ele vai estar rapidamente se esforçando para pedir ou pegar o que deseja.

Aproveite que Deus nos deu essa benção de poder estimularmos nossos bebês despertando-lhes a curiosidade e lhes dando o exemplo e torne-se aquele(a)a bebê maravilhoso(a) e feliz que fostes, e DÊ EXEMPLOS.

Role no chão! Se arraste, engatinhe, jogue bola para cima. Brinque com balões! Monte castelos e quebra-cabeças. Escove os dentes e almoce junto com seus filhos! Nade na piscina de bolinhas! E, principalmente, entre no playground e brinque com seu filho.

No último mês, estive com a Bélli quase 10 horas no playground de um hipermercado próximo, local seguro e com dezenas de brinquedos para a idade dela, e observei que uma centena de pais “despejam os filhos ali e vão fazer compras” ou “vão jantar com amigos”, ou o que é pior, ficam sentados lendo. E, os filhos chamam para que “vejam que esta pulando” ou que “esta enterrado nas bolinhas” e os pais sequer tiram os olhos da revista de fofocas ou de meses atrás. Eu me orgulho de ter brincado as 10 horas com ela.

O único cuidado com essas atividades, refere-se ao fato de que nossa idade física já não permite tanto a “mente de criança.” Eu por exemplo, tive que ser salvo da piscina de bolinhas por umas 10 crianças de 2 a 5 anos, porque fiquei soterrado. E brincar de cavalinho com hérnia de disco na coluna, não é tão bom assim para mim, quanto é para a Bélli. Mas, a dor evapora quando eu vejo o brilho de felicidade nos olhinhos da minha pequena princesinha.

E para finalizar, conto o que um exemplo aparentemente banal pode fazer.

Minha pequena de 2 anos e 3 meses começou meio-turno na escolinha em março e sempre que entravamos e saíamos da escola, ao invés de atravessar a rua na porta do colégio, eu caminhava para trás 15 metros e passava na faixa de segurança e dizia nas primeiras vezes: - “Bélli! Vamos passar na faixa!” e mostrava que os carros paravam para nós.

Passou-se um mês e a mãe foi levá-la na escola e a pequena Bélli fez um escândalo quando a mãe foi atravessar a rua fora da faixa de segurança. Começou a falar e a puxar a mãe: - “Faixa, mãe. Faixa, mãe. Papai, faixa, carro, pára!”

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Como devemos ouvir as crianças e procurar entendê-las

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Ontem, cheguei de viagem após 4 dias sem ver minha princesinha de 2 aninhos. A Bélli!

Quando avisei por telefone que estava chegando, ela já cantou a lista de atividades: - “Tau-tau”, “Masti”, “Mimi”, “Futa”, “Batata”, “Suco”, “Bala”, “Vovô”.

É o script do seu passeio preferido. O “Tau-tau”.

Ir ao Master, ver os bichos (principalmente os gatos), passear pelos corredores do mercado e “têm que comprar frutas, danoninho e balas”. Depois de passar no caixa, a parada é nas lanchonetes para comer batatinha frita e tomar suco de laranja.

Depois, se despedir do “Mimi” e ir para casa do Vovô Chico. Dar “mamã” para os peixes do papai, andar na calçada com seu carinho de pedal, dar “boa-noiti” à todos e ir para a casa da mamãe.

Pois o inusitado desse passeio, acabou sendo o final.

Ao entrar na casa da mamãe, ela me puxou pela mão e disse:
- “Papai! Água!”

Como sempre, peguei um copo e fui buscar uma garrafa de água mineral no armário da despensa. E ela como sempre me seguiu. Abri o armário, peguei a água e quando dei um passo em direção à cozinha, ela apontou:

- “Papai, papai!” E apontava para uma garrafa de Coca-Cola do armário.

Obviamente, lhe disse: - “Não Bélli, isso é do papai. O bebezinho não pode tomar. Só quando ficar grande.”

E a figurinha continuou apontando: - “Papai! Papai! Papai!” e vendo minha imobilidade emendou: - “Papai! Copo! Papai!”

Ainda sem entender, a contragosto caminhei para a cozinha, peguei outro copo e falei para ela: - “Não pode meu amor. É só gente grande que bebe isso. É do papai.”

E ela, impassível, ao lado da Coca-Cola: - “Papai! Gelo! Papai!”

Como ela gosta de por um gelo na água, peguei uma pedra de gelo na geladeira e lhe ofereci o copo de água com o gelo.

Ela recusou. Com uma coordenação impressionante, apontou para a Coca-Cola do armário, para a geladeira, para o copo vazio e falou:
- “Papai, gelo, copo”.

Confesso que fiquei com os olhos cheios d’água. Como um toquinho de 2 aninhos conseguiu pedir que eu a acompanhasse bebendo Coca-Cola, enquanto ela bebia sua água?

Enquanto eu enchia meu copo de Coca-cola sobre o gelo, ela juntou as mãozinhas, gargalhou e deu uma tremidinha característica, do jeito que faz quando esta extremamente feliz.
Confesso que aí, as lágrimas correram dos meus olhos, (como também estão correndo agora).

Disfarcei, enxuguei as lágrimas e com a voz embargada fiz “tim-tim” no copo de água dela. Bebi minha Coca-Cola, enquanto ela tomava sua água. Ela bebia um gole, me olhava, ria e bebia novamente.

Foi a melhor Coca-Cola da minha vida.

Depois, fiquei pensando o quanto devo ouvir e compreender mais minha pequena, antes de julgá-la como “apenas uma criança”.

- “Será que eu vou ser capaz de dar todo o amor que esse anjinho merece?”

Dicas - Ensinando o bebê a engatinhar com firmeza e equilíbrio

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Atividade para dar equilíbrio e firmeza ao bebê

Comprei um colchão de ar de solteiro e coloquei-o na sala, deitando-me sobre ele. Logo, minha pimpolha queria imitar o papai, subindo sobre ele, mas estranhou aquele objeto que tornava o chão molenga e que fazia barulhinho de ar conforme se pisava.

Não enchi muito de ar para que ficasse fofinho. Se enchesse demais ele ficaria muito firme e de uma certa forma, tornar-se-ia uma mola que jogaria a bebê para fora quando ela se jogasse com força sobre ele.

No começo, minha filhinha ficava só com o tronco sobre o colchão, mas depois aprendeu a engatinhar sobre ele e isso lhe deu muito equilíbrio, porque conforme o colchão estava mais cheio ou vazio, engatinhar sobre ele era mais fácil ou difícil.

Alguns pontos do colchão eram mais duros ou moles, fazendo com que tivesse que dosar a força nos braços e pernas para manter o equilíbrio.

Quando ia descer do colchão e tirava o peso do primeiro bracinho, a redução do seu peso sobre aquele ponto do colchão fazia ela desequilibrar-se porque o ar se ajustava à pressão sobre o braço apoiado e sobre os joelhos.

Nas primeiras vezes, ela quase sempre caiu porque não entendia o que acontecia na hora de descer, mas em alguns dias, já subia e descia tranquilamente.

Da mesma forma que um adulto tem que usar seu senso de equilíbrio para ficar sobre um piso instável, o bebê aprende a se equilibrar sobre o colchão de ar e transfere esse aprendizado para o ambiente onde engatinha e irá caminhar.

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