A velha espingarda e o desarmamento!
Pois é! Passamos por alguns sufocos nos últimos dias. Eu e meu irmão, andando com uma velha espingarda no carro. Resolvemos entregá-la na campanha do desarmamento. Nosso pai deu o último tiro num gambá (raposa aqui no Sul) a cerca de 25 anos atrás - ele só a usava para isso. Depois guardou no forro da casa para não ser roubada e nunca mais usou. Por ser idoso e meio teimoso, não queria “entregar a arma para o governo” de jeito nenhum.
Por esses dias, tivemos que desmanchar a casa antiga do nosso pai em outra cidade porque estava velha e desabando e não teve outro jeito. Optamos por entregar a arma na campanha do desarmamento. Junto com a espingarda, estava uma caixa de munição, repleta de cartuchos mofados e corroídos pelo tempo.
Já havíamos pego uma guia na Polícia Federal para transportar a espingarda e a munição para a cidade da residência do meu irmão, e depois outra guia para transportar para a Polícia Federal de Passo Fundo, que receberia a arma.
Só que nesse final de semana, meu irmão pernoitou na nova residência do pai, tendo que guardar o carro num posto de gasolina e como tinha medo que a espingarda pudesse ser roubada, colocamos no meu carro.
Quando estava saindo, lembrei que se eu levasse a espingarda no meu carro e fosse parado numa blitz, a guia estava autorizando o meu irmão e não a mim. Eu obviamente seria preso.
Tivemos que fazer um verdadeiro planejamento de guerra, para que pudessemos levar a espingarda para o meu apartamento com dois carros, deixamos ela guardada lá e voltarmos ao posto de gasolina para ele guardar o carro.
No dia seguinte, tivemos que fazer toda a operação inversa para que não tívessemos problemas. Feita toda a troca, meu irmão retornou à sua cidade com a arma e a guia.
No dia seguinte, ligou-me informando que tudo havia saído bem, conseguindo entregar a arma sem problemas.
Não pudemos deixar de comentar o quanto tínhamos nos sentido criminosos transportando uma arma, mesmo cumprindo a lei e nos desfazendo de algo que pode ser mais perigoso se estiver em mãos erradas ou for mal usado, do que entregue para destruição na Polícia Federal.
Lembramos das milhares, talvez milhões de armas que estão nas mãos de criminosos, dos quais ninguém faz “campanha de desarmamento” nos bairros, nas favelas e até nos presídios, que as vezes tem mais armas do que os agentes penitenciários.
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Tags: arma, desarmamento, espingarda, munição, paternidade