O ataque mais violento e com consequências mais graves ocorre sempre envolvendo um enxame de abelhas apis melífera africanizadas, que são abelhas européias mestiças, com uma grande concentração de genes africanos e baixo nível de genes das raças mansas européias.
Os ataques se dão geralmente em três situações:
- enxame de abelhas instalado em algum local (ninho/colméia) que é incomodado por algum fator externo;
- enxame de abelhas pousado em árvore ou algum outro local (o conhecido bolo de abelhas), que é incomodado por algum fator fator externo;
- enxame de abelhas em migração (enxameação), que transitam pacificamente em áreas rurais e em alguns casos, dentro da cidade, e acabam criando pânico pelo barulho, forma de locomoção e eventuais picadas geradas por esse pânico.
O princípio dos ataques esta baseado sempre em uma ou mais causas relatadas no artigo Fatores externos que iniciam um ataque de abelhas africanizadas.
As formas de combater e debelar um ataque de um enxame de abelhas em qualquer situação, consiste em utilizar uma ou mais estratégias conjuntas ou todas as citadas abaixo.
Vamos numerá-las apenas para facilitar a compreensão geral:
1) Eliminação dos alvos visuais da área: neste aspecto, incluí-se afastar dentro do possível, qualquer ser vivo ou objeto que produza movimento ou cheiro na área, mormente os humanos.
Quanto menos gente andando ou correndo, mais rápido ocorre a reversão pelas próprias abelhas do instinto de ataque.
Medida eficaz é restringir os alvos visuais das abelhas à pessoas vestidas de branco ou azul claro (cores invisíveis às abelhas). As demais (inclusive bombeiros) devem camuflar-se atrás de qualquer obstáculo (árvore, arbusto, pilar, placa de trânsito, carro), sempre com o rosto na direção do obstáculo, pois ao contornar o obstáculo a abelha não será atraída pelos olhos.
Fechar o trânsito ajuda a controlar o espaço de ação das abelhas, pois os veículos, além do barulho e do cheiro do escapamento, representam um objeto em movimento. A abelha agressiva vai em direção do veículo em movimento e encontra um monte de gente escondida por ali, que vai se assustar e correr. Ponto para a abelha. “Ela achou o que estava procurando.”
2) Contenção do aumento do número de abelhas atacantes: visa parar o aumento geométrico de agressoras. Uma abelha irritada retorna à colméia e induz centenas de abelhas para o ataque. Uma centena, retorna para a colméia e induz milhares.
É imprescindível frear esse retorno à colméia e/ou a saída de novas atacantes. Então, pode-se agir sobre dois pontos.
1°) Localização do enxame. Se for conhecido o local da colméia, deve-se rapidamente ir ao local e obstruir parcialmente a entrada com um galho, jornal enrolado, ou objeto resistente que não possa ser retirado pelas abelhas.
A obstrução deve deixar aproximadamente um espaço de passagem para 01 (uma) só abelha entrar ou sair (um dedo mindinho pequeno). Essa obstrução faz com que ocorra um congestionamento natural na colméia. Enquanto centenas de abelhas querem sair para atacar, outra centena de abelhas chega do campo para entrar na colméia com comida. É instinto natural de que, quem alimenta a colméia tem preferência de entrada e em segundos cria-se um bloqueio em que entrarão mais abelhas do que saírão, além de que o enxame se concentrará em desobstruir a entrada, o que levará horas ou dias.
Fechar totalmente, tem efeito contrário, pois as que ficam presas ficam mais furiosas e as que já estão fora, ao invés de entrar, vão ficar irritadas porque não conseguem entrar e começar a voar em círculos, tornando-se parte do ataque que estava ocorrendo.
Se as que estavam presas conseguirem remover o tampão da colméia (e elas tem uma força e técnicas inacreditáveis para isso), sairão atacando furiosamente.
2°) O ataque das abelhas é feito por via área, e sem voar, não há ataque. Eu digo sempre que é preferível gastar cem caminhões de água aspergida sobre um ataque de abelhas do que ter uma única vítima fatal.
A explicação é simples. Os únicos fatores que impedem a abelha de voar são o fogo e a água. Você não pode incinerar uma casa ou um parque, mas pode jatear as atacantes com água sob pressão em chuviscos finos (seja com a mangueira de casa ou a dos bombeiros), e continuar simulando uma chuva, molhando assim as asas das abelhas e eliminando os raios de vôo dos ataques.
Eliminado o círculo de vôo característico dos ataques, a população (humana) se acalma, as abelhas estão molhadas no chão ou nas árvores sem voar e as coisas se acalmam por algumas horas (e geralmente até anoitecer).
Instintivamente, as abelhas que não são molhadas retornam à colméia pois embora voem sob chuva, sua natureza determina o retorno à sua colméia quando ameaça chover.
Outro uso da água, refere-se aos enxames pousados em arbustos ou galhos, cujo hábito é lançar centenas de abelhas em vôos circulares que acabam atingindo pessoas ou animais e causando ataques. Molhar bem este bolo, mas delicadamente, com jatos de gotículas bem finas (névoa), faz com que as abelhas concentrem-se na tentativa de proteger a rainha (no meio do bolo) da “suposta chuva” e a medida que as abelhas voadoras vão pousando no bolo, são imobilizadas pela água que lhes impede de alçar novos vôos.
Só tome cuidado para não dar uma jateada forte de água, porque além do esparramo de abelhas, a agressividade se manifestará imediatamente em represália.
3) Controle e redução da expansão da área do ataque: Esta ação é determinada pelo fato de que as abelhas tem a tendência de alçar vôos circulares de alguns metros em volta do local onde estão. Só que esse movimento circular vai deslocando-se sempre na direção em que vislumbrar algum movimento, atacando áreas muito afastadas da colméia.
Dá a impressão de que a abelha esta perseguindo a pessoa, mas na verdade, ela dá várias voltas em círculos cilíndricos ou ovais e se ao passar nesses vôos de “reconhecimento”, ela não vislumbrar movimento (ou algo estranho), tenderá a continuar seus círculos, agora em direção à colméia.
Então, fica claro que camuflar-se/esconder-se ou ficar imóvel reduz drasticamente o ataque de abelhas.
Então, os câmeras, reporteres ou curiosos que olham o trabalho de combate ao ataque, devem ser obrigados a recuar para trás de obstáculos visuais para não expandir o raio de ação das abelhas.
Outra forma de conter esse espaço é fixando lençois brancos em volta do local do enxame, num raio de 20 metros. Sem enxergar o movimento (atrás dos lençois), o enxame não ataca o que não vê e dificilmente irá voar até o tapume de lençois para “espiar sobre eles”.
Já presenciei e controlei ataques de abelhas enfurecidas ficando a menos de 5 metros de grandes enxames, mas elas me ignoravam por estar camuflado no meio de um arbusto ou atrás de um tronco de árvore, absolutamente imóvel e sem respirar ofegantemente (com macacão e máscara brancos).
4) Proteção de áreas de segurança: chamo de áreas de segurança os locais onde as pessoas possam se esconder, como casas, quartinhos, carros, cortinas, armários.
Embora alguém possa até estar rindo, já ouvi várias histórias verídicas de gente que se fechou no ármário do quarto ou na despensa da casa para escapar de abelhas.
Risadas à parte, qualquer local escuro ou fechado é seguro. Até embaixo de uma coberta grossa ou lençol branco. As abelhas não atacam o que não vêem, o que não se mexe ou que não tenha cheiro forte.
Proteger as áreas de segurança envolve o trabalho de fechar portas, janelas ou qualquer abertura que dê acesso as abelhas, escurecendo o interior do local (desligar as luzes).
Isso vale para lojas inclusive. Não adianta fechar a porta, se as vitrines e luzes internas estão acesas. As abelhas são atraídas pelos raios de luz artificial e grudam nos vidros, mais pela luz do que pela raiva. Fique no escuro alguns minutos, perca algumas vendas, mas não perca um cliente ferroado.
Aplicar inseticidas aerosóis nas janelas fechadas (aplicar só um pouco por dentro), matará as abelhas que estiverem dentro e afugentará as que estiverem tentando entrar.
Utilizar-se de cortina de fumaça (veja item 7) ou apenas de uma lata com brasas soltando fumaça, inibe e/ou bloqueia a visão dos alvos das abelhas.
Carros com as janelas fechadas não deixam entrar abelhas, e até que alguém não resolva fazer um filme, elas não sabem abrir maçanetas e nem quebrar vidros. Se entraram algumas abelhas junto com você, tire a camisa ou a blusa e esmague-as contra o vidro. Depois, relaxe. Não tente matá-las no tapa. Elas são muito rápidas.
5) Dar condições de defesa e sobrevivência aos animais: algumas atitudes simples, podem salvar os animais de estimação ou de criação. Soltar animais presos para que possam correr das abelhas ou levâ-los para dentro (melhor um cão ou uma vaca sujando a garagem ou a área de serviço do que mortos). Pegar as galinhas no pátio será mais fácil do que enterrar todas envenenadas pelas abelhas.
O gado e outros animais se embrenhará pelo potreiro e provavelmente receberá menos picadas solto do que preso.
Porcos e animais que não possam ser soltos, podem ser protegidos com fumaça que afugenta as abelhas (lata com material queimado em brasas e com outra substância úmida em cima) ou chuvisco d’água (mangueira de água lavando os porcos reduz o cheiro e molha as agressoras).
6) Uso de chamariz para concentração do ataque: Esta técnica diz respeito ao seguinte fato. Determinados enxames são extremamente agressivos, o que se percebe pelo raio de ação dos ataques, que espalha-se por mais de 200 metros.
Enxames assim devem ser eliminados, pois apresentam elevado grau de genes africanos. Eliminar um enxame espalhado é impossível, mas você pode fazê-las concentrar o ataque em algum objeto ou local.
Aprendi isso ao verificar que as abelhas africanas de um enxame atacavam o boneco de pelúcia do chaveiro do meu carro, pois não conseguiam me ferroar com o macacão e a máscara. Em minutos ele levou umas 100 ferroadas (ele levou e eu não).
Pegue um travesseiro de tecido fofo (melhor bem escuro ou colorido do que claro), amarre uma corda de 1 metro no meio, jogue um pouco de perfume forte (cheiro forte) e dê umas “travesseiradas” nas abelhas num local próximo do enxame ou do ataque (provoque as abelhas contra o travesseiro). Depois de ver que ele foi ferroado, amarre o travesseiro pendurado e deixe-o balançando. O movimento, o perfume e o cheiro do feromônio do ferrão no travesseiro vão fazê-las atacar o coitado impiedosamente.
Cada abelha que ferroá-lo, perde o ferrão no travesseiro e não poderá ferroar um humano ou animal. Serão centenas a menos no ataque contra as pessoas e os animais e em poucas horas estarão mortas.
7) Uso intensivo de fumaça: seja por sufocação (pela grande quantidade de fumaça) seja pelo instinto de sobrevivência que faz as abelhas retornarem à colméia para comer o mel e assim, permitir a reconstrução da colméia após o “suposto incêndio”, a fumaça é um eficiente meio de controle de abelhas mansas ou agressivas.
Os únicos inconvenientes disso são o cheiro e a sufocação humana pela fumaça (melhor isso que as ferroadas) e a necessidade de equipamento profissional de apicultor - o fumigador grande - capaz de produzir fumaça suficiente para encher o espaço de uma casa em 05 minutos, tamanha sua capacidade de produção. É necessário um saco de 50 litros de maravalha seca e muita força para bombar o fumigador em grossas nuvens de fumaça. O aplicador, devidamente vestido com macacão de apicultor e máscara (brancos) deve ter habilidade para não sufocar-se no meio de tanta fumaça.
Equipamentos assim, podem produzir uma nuvem de fumaça que isole o local do enxame (ou do ataque) forçando as abelhas a agrupar-se e confundindo-as quanto aos seus alvos de ataque. Dois fumigadores podem controlar um ataque de abelhas “brincando”, pois manteriam um espaço de um campo de futebol em uma nuvem de fumaça por uma tarde inteira.
Combinado com a aspersão de água, a aplicação de fumaça com fumigador debela rapidamente um ataque de abelhas.
Bater com o fundo de uma colher em uma tampa de panela ou na própria panela de alumínio: este som provoca um instinto natural do enxame concentrar-se em algum local, possivelmente por desorientar os sensores de navegação das abelhas.
Esta técnica é empírica, mas funciona muito bem. Serve para os casos dos enxames pousados (induz as abelhas que voam a pousar no bolo) e para os enxames em deslocamento (induz ao pouso em um local próximo (geralmente galho ou arbusto), onde pode ser capturado ou controlado.
Claro que não adianta bater na tampa da panela enquanto se esta sendo ferroado. A técnica serve para enxames que estão cruzando determinado local, causando transtornos e enxames pousados com muito movimento de abelhas. Devidamente protegido com máscara e macacão, ou atrás de um arbusto ou oculto atrás de uma janela, cuja cortina esteja fechada, a batida deve ser constante: “pã, pã, pã, pã, pã, pã, pã, pã,pã, pã,pã, pã” durante vários minutos. E se possível, várias pessoas ao mesmo tempo.
O enxame voando tenderá a baixar logo adiante, assim que achar uma árvore/arbusto aceitável pelas abelhas. Isso reduzirá o volume de abelhas voando de 20 a 40 mil abelhas, para alguns milhares, o que ajuda muito no controle de agressões.
9) Construção de um tapume colorido a cerca de 1 ou 2 metros da entrada da colméia: colocando-se um tapume de 2 metros de altura em frente a entrada da colméia e isolando-se as saídas laterais com tapumes da mesma altura, só restará as abelhas alçarem vôo em ângulos de 45° graus ou superior.
Isto faz com que as vigias da entrada da colméia não vejam as pessoas que passam em frente ao enxame e provoca uma alteração na rota de vôo das abelhas campeiras (coletoras de pólem e néctar), que frequentemente colidem com as pessoas, quando saem em ângulos de 5° à 15°, pois levam de 15 a 50 metros para atingirem uma altura que passaria sobre a cabeça dos transeuntes.
Elevando-se o ângulo de decolagem, as campeiras estarão preocupadas em decolar sem colidir com o obstáculo e pousar sem colidir com o obstáculo, não prestando atenção se tem uma criança, cachorro, ciclista ou qualquer coisa do lado de fora do tapume.
Esses tapumes podem ser integrados à paisagem, pintando-se de cores verdes (estilo camuflagem militar), passando a ser vistos pelas abelhas como “arbusto” e pelos transeuntes, mediante identificação com placa ou pintura de que atrás existem abelhas.
Simples, bonito, barato e seguro!
Qualquer das ações acima são recomendadas para evitar, conter ou debelar o ataque de enxames de abelhas, mas algumas tem maior eficácia de acordo com o tipo de ataque. Cabe ao usuário, principalmente os bombeiros que prestam este tipo de socorro, ir aprendendo a utilizá-las.
Caso queira aprender como controlar ataques de apenas algumas abelhas, veja o artigo Como controlar o ataque de poucas abelhas apis africanizadas.
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