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Uma história triste da Linda Moça triste

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Trabalhava atendendo estudantes o dia inteiro, e frequentemente vinha ao balcão uma moça de 20 e poucos anos, extremamente linda. Numa definição resumida, era uma “Barbie”.

Loira, rosto angelical, discretamente maquiada, muito bem vestida, com extrema educação, simpática e simples, porém com um olhar muito triste.

Quando ela chegava, eu admirava sua beleza já que era um verdadeiro colírio para os olhos, mas, logo percebia uma tristeza, uma nuvem pesada, uma sensação estranha de pesar que se apossava de mim ao olhar para a garota.

Fiquei tentado várias vezes a lhe perguntar se estava bem, mas, ficava constrangido de “de certa forma, invadir a privacidade dela”. E o tempo foi passando.

Cheguei a comentar várias vezes com colegas sobre aquela tristeza, já que ela era extremamente bonita de feições e de corpo. Aparentava e tinha boa situação financeira. Era muito educada e simpática. Em síntese, tinha o que milhares de garotas sonham ter, mas era uma pessoa triste.

Após certo tempo, mudei de trabalho e não vi mais a moça. Um ano depois, fui pego de surpresa com a notícia.

A moça triste havia falecido de repente. Ligou para a mãe dizendo: - “Mãe, estou mal.” E caiu ali mesmo na sala da sua casa.

Sua tristeza fora explicada. Quando jovem, tivera câncer e depois de muito sofrimento com o tratamento, a doença foi considerada vencida. Quando adulta, descobriu que a doença havia reaparecido e talvez num sentimento de impotência ou mesmo de resignação, decidira não lutar contra ela.

Nem sua família sabia do retorno dos sintomas. Não houve tratamento. Optou por poupar seus entes queridos do longo e contínuo sofrimento durante o tratamento. Continuou vivendo como se não houvesse nada. Só seus olhos diziam o contrário.

Chocou a todos por sua partida repentina, mas de certa forma, poupou muito sofrimento de colegas, amigos, conhecidos, vizinhos, parentes e de sua família.

Alguns diriam que foi covardia. Outros, que foi burrice, já que os tratamentos de hoje evoluíram muito. Eu penso que foi altruísmo. Ela suportou sozinha para poupar o sofrimento dos seus próximos.

O sofrimento de sua partida iria acontecer de qualquer maneira. O sofrimento de seus entes queridos durante longos meses de sua convalescença, poderia ser evitado. E conseguiu. Abriu mão de si, para poupar os outros.

A linda moça triste partiu, mas acho que ficou seu exemplo.

Certo ou errado? Não somos nós que podemos julgar.

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