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Caridade se faz com atos simples

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Em plena guerra em 1944, um famoso comediante estava sendo esperado para apresentar um um espetáculo no acampamento da Cruz Vermelha, num hospital de retirantes em Bougainville, no Pacífico Sul.

O plano de nosso comandante do campo era que ele chegasse e fosse recebido no portão por três oficiais graduados, que os acompanhariam ao clube dos oficiais, onde seriam apresentados aos outros oficiais. Na hora do espetáculo, iriam para o teatro onde as três primeiras filas de bancos seriam reservadas para os oficiais.

Quando ele chegou, entretanto, seu carro passou pelos três oficiais que o esperavam e parou defronte das enfermarias do hospital. Quando o alcançaram, ele já tinha saltado do carro e entrado na primeira barraca-enfermaria. Os três coronéis resolveram fechar a bôca e segui-lo.

Os doentes acamados imediatamente o reconheceram, enquanto êle se dirigia a um e outro com uma piada, uma palavra amável, um tapinha nas costas. Êle viu um jôgo de dados, brincou com os enfermeiros e atendentes da enfermaria e até participou de uma jogada. Atravessou mais duas enfermarias da mesma maneira, depois dirigiu-se de volta ao teatro com os três oficiais ofegantes atrás dele.

Subindo ao palco, gritou para um grupo de doentes que haviam chegado tarde demais para conseguir lugar:

-Eih, pessoal! Há uma porção de lugares vazios aqui na frente. Venham ocupá-los!

Em alguns minutos os lugares reservados encheram-se de doentes felizes. Os oficiais assistiram ao espetáculo de pé.

O sorriso de uma Rainha ou sinal de um anjo?

sábado, 16 de agosto de 2008

Há algum tempo, estava em um beco sem saída, extremamente deprimido e cheio de problemas e, por várias vezes, pensei em desistir de lutar.

Quando tudo pelo qual você lutou e construíu, desmorona como num passe de mágica, fica difícil manter o equilíbrio.

Para minha surpresa, aconteceu algo muito estranho. Uma pessoa, quase que desconhecida, me deu um sorriso.

Era alguém com quem eu convivia à distância, aquela conhecida de vista, mas que acho que nunca tínhamos sequer nos cumprimentado com um “Olá”.

Naquele dia, eu estava no limite do precipício e encontrei-a casualmente numa feira. Ela era Rainha do evento e confesso que no começo, confundi um pouco as coisas.

Na hora do fato, me sentia como se meu cérebro estivesse em uma noite sombria, negra, sem perspectiva de nenhuma luz e então, de repente, alguém ligou um sol ofuscante e quente na minha cara.

Ela me deu um sorriso tão expressivo, que até hoje não sei se foi por obrigação de Rainha do evento, se foi por já me conhecer ou qual a real intenção.

Passaram-se longos meses, sem que a visse novamente, e as dificuldades não davam tréguas. Logo voltaram a turvar novamente esse sol de esperança que havia se instalado com aquele sorriso.

Casualmente, ou por obra do destino, retorno exatamente um ano após, ao mesmo local e na mesma feira, e lá esta ela novamente com a recepção calorosa do seu sorriso. Nem sabia que ela seria Rainha por dois anos.

Fiquei surpreso! Ela parecia saber cada vez que eu estava quase caíndo, e então, ela me dava um sorriso de esperança. Não sei a intenção desse sorriso, mas ele fez com que por duas vezes, o “véu negro” se dissipasse como mágica, deixando minha mente em um céu azul e ensolarado.

Os problemas continuavam, mas a minha mente ficava limpa e tranquila para enfrentá-los.

Entre a surpresa e a compreensão quanto ao motivo pelo qual essa pessoa teria dirigido o sorriso para mim, transcorreram-se outros meses em que não vi mais a pessoa.

Um dia, eu a vi caminhando na calçada. Pareceu coincidência, pois naquele dia estava bem desanimado. De alguma forma, ela parecia pressentir quando eu estava mal e aparecia, mesmo que após meses ou anos.

Poderia tê-la procurado para conversar, mas durante este tempo, tive que lutar arduamente para me reerguer e vencer os problemas.

Também não queria confundir as coisas e nem incomodá-la com meus problemas. Tinha que preservá-la. Achava que não devia lhe dar motivos para deixar de sorrir.

Até mandei flores para agradecer pelos dois sorrisos, e parece que acabei não sendo bem interpretado. Talvez um dia, crie coragem e lhe conte que seu sorriso tem mais poder do que imagina.

Hoje eu sei que aquele sorriso foi um “sinal divino” de que eu não estava sozinho como pensava, de que nem tudo estava tão ruim assim e de que eu ainda tinha alguma coisa a fazer por aqui, ao invés de me lamentar pelos problemas que eu tinha capacidade de vencer.

Sinto que não foram sorrisos artificiais e também não foram sorrisos de sedução. Foram sorrisos de esperança.

Acredito que quando o meu anjo da guarda percebeu que precisava de ajuda, chamou o dela e pediu:
- “Me ajude a fazê-lo não desistir, porque ainda há muito por fazer”.

Às vezes, lamento que só veja seu sorriso quando “me sinto mal” e chego a pensar que “talvez se eu ficasse bem mal, meu anjo chamaria o dela e poderia ver seu sorriso novamente”.

Por outro lado, se encontrá-la, pode ser sinal de que eu novamente não estou bem, e isso me faz evitar a possível aproximação. Isso parece coisa de adolescente, mas é o que eu sinto.

Talvez um dia eu possa ver JAT sorrir sem achar que eu esteja precisando de ajuda.

Por enquanto, minha gratidão eterna ao “anjo” ou à “Rainha”. Eles estão em minhas orações. Talvez um dia eu descubra o que realmente tudo isso significou.

Talvez até um dia possamos conversar sobre isso…

Uma história triste da Linda Moça triste

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Trabalhava atendendo estudantes o dia inteiro, e frequentemente vinha ao balcão uma moça de 20 e poucos anos, extremamente linda. Numa definição resumida, era uma “Barbie”.

Loira, rosto angelical, discretamente maquiada, muito bem vestida, com extrema educação, simpática e simples, porém com um olhar muito triste.

Quando ela chegava, eu admirava sua beleza já que era um verdadeiro colírio para os olhos, mas, logo percebia uma tristeza, uma nuvem pesada, uma sensação estranha de pesar que se apossava de mim ao olhar para a garota.

Fiquei tentado várias vezes a lhe perguntar se estava bem, mas, ficava constrangido de “de certa forma, invadir a privacidade dela”. E o tempo foi passando.

Cheguei a comentar várias vezes com colegas sobre aquela tristeza, já que ela era extremamente bonita de feições e de corpo. Aparentava e tinha boa situação financeira. Era muito educada e simpática. Em síntese, tinha o que milhares de garotas sonham ter, mas era uma pessoa triste.

Após certo tempo, mudei de trabalho e não vi mais a moça. Um ano depois, fui pego de surpresa com a notícia.

A moça triste havia falecido de repente. Ligou para a mãe dizendo: - “Mãe, estou mal.” E caiu ali mesmo na sala da sua casa.

Sua tristeza fora explicada. Quando jovem, tivera câncer e depois de muito sofrimento com o tratamento, a doença foi considerada vencida. Quando adulta, descobriu que a doença havia reaparecido e talvez num sentimento de impotência ou mesmo de resignação, decidira não lutar contra ela.

Nem sua família sabia do retorno dos sintomas. Não houve tratamento. Optou por poupar seus entes queridos do longo e contínuo sofrimento durante o tratamento. Continuou vivendo como se não houvesse nada. Só seus olhos diziam o contrário.

Chocou a todos por sua partida repentina, mas de certa forma, poupou muito sofrimento de colegas, amigos, conhecidos, vizinhos, parentes e de sua família.

Alguns diriam que foi covardia. Outros, que foi burrice, já que os tratamentos de hoje evoluíram muito. Eu penso que foi altruísmo. Ela suportou sozinha para poupar o sofrimento dos seus próximos.

O sofrimento de sua partida iria acontecer de qualquer maneira. O sofrimento de seus entes queridos durante longos meses de sua convalescença, poderia ser evitado. E conseguiu. Abriu mão de si, para poupar os outros.

A linda moça triste partiu, mas acho que ficou seu exemplo.

Certo ou errado? Não somos nós que podemos julgar.

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