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Auxiliando até um traficante a alimentar seus filhos

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Fiquei sabendo que um rapaz de 20 e poucos anos havia ficado viúvo da jovem esposa e estava desempregado, com 05 filhos pequenos. Uma escadinha de 2, 3, 5, 6 e 7 anos. O maior frequentava a escola e quando encontrávamos sua professora ela sempre nos contava:

- “Hoje ele contou que dormiram os 06 juntos para se esquentar (noite mais fria do ano).Hoje ele não tinha casaco (ou sapatos) e estava muito frio. Hoje ele não tinha merenda e eu dei a minha para ele. Hoje os colegas dividiram a merenda com ele. Hoje ele contou que ficaram sozinhos em casa porque o pai foi procurar emprego e só voltou a noite. Almoçaram pão e água.”

Ficamos comovidos. Ligamos para a assistência social do município e me responderam que já tinham “pobres demais”. Mandaram o pai se cadastrar no Bolsa Família (que após 05 anos ainda não chegou).

Resolvemos ajudar. Reduzir nosso gasto com supermercado e auxiliar a família. Não tinham cobertores e nem móveis básicos. Ajudamos no que pudemos e levamos vários ranchos durante meses. As crianças ficaram apegadas a nós. Os pequenos diziam: “Tio, rezei para o senhor ontem a noite.” Só isso, já compensou tudo que fizemos.

Cerca de 1,5 anos depois, descobri que o pai fora preso por tráfico. Na falta de emprego, partiu para um ramo mais “acessível” a quem não tem acesso à dignidade humana. Auxiliamos mais um tempo e aí, a avó das crianças mudou-se de outra cidade para cuidar das crianças. Era aposentada e podia dar algum sustento aos pequenos.

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O que fazer para ajudar um suicida em potencial que pode estar sofrendo ao seu lado

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Trabalhávamos até as 23:00h na empresa e íamos a pé para casa, pois morávamos a uma quadra de distância. Em determinada época, os moradores da quadra onde morávamos, contrataram um segurança para vigiar as residências durante a noite. O segurança iria começar as 23:00h. e encerrar as 06:00 h da manhã seguinte.

Como encerrávamos o expediente as 23:00h. o segurança nos cumprimentava com um sorriso, se postava em frente à nossa empresa esperando fecharmos e nos acompanhava até nossa casa. Ninguém lhe pedira isso. Ele começou por vontade própria, talvez achando que fazia parte do seu serviço.

No caminho, ele sempre puxava papo com a gente, mas só minha esposa conversava, enquanto eu, sempre preocupado com os negócios, com o trabalho, com as contas e demais preocupações, mal prestava atenção na conversa e mal respondia quando me pediam algo.

Passaram-se uns 6 meses e chegou o inverno. Frio intenso. Minha esposa ficou muito gripada e para não piorar, ficou uma semana em casa a noite. Fiquei sozinho para caminhar com o segurança.

Durante aquela semana, lembro que ele estava meio quieto, mas ainda assim puxava assunto. Eu, para variar, quase só respondia as suas conversas, com respostas curtas e monossílabicas, afinal, “estava pensando nos negócios”. Assim, passou-se a semana.

Na segunda, o segurança não apareceu. Achamos que estava atrasado e fomos para casa no horário de sempre.

Na terça, recebemos a notícia. Ele havia se suicidado no sábado de madrugada. Estava deprimido pela separação da esposa, a filha adolescente em conflito, problemas com dinheiro… Enfim, desabaram de uma vez todos os problemas sobre sua cabeça e ele achou que o único caminho era o suicídio.

Não me senti culpado pelo ocorrido, mas fiquei pensando seriamente se quem sabe uma atenção maior ao que ele estava falando naquelas cinco noites que caminhamos juntos, não poderia ter lhe dado algum alento e o desviado de sua atitude extrema.

Desde então, tenho dado atenção às pessoas com as quais converso, principalmente as que estão desanimadas ou com um problema pessoal ou financeiro.

Procuro sempre passar idéias e mensagens positivas, de que tudo tem solução e de que, às vezes, “é no andar da carroça que se assentam as melancias”.

Nada como o tempo para que vejamos as coisas com outros olhos. Hoje podemos agir de maneira arrogantes ou demostrar fraqueza frente a um problema. Daqui a alguns meses, o tempo dirá se nossa atitude foi correta ou equivocada.

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