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Como escaladores e trilheiros podem se proteger de ataques de abelhas

domingo, 2 de novembro de 2008

Um dos maiores e imprevisíveis perigos que podem ocorrer em escaladas e trilhas ecológicas é o ataque de abelhas africanizadas, que apresentam grande presença em todo território nacional e comportamento agressivo sazonal e instável.

Escaladores, alpinistas, trilheiros ou naturistas, devem sempre levar um tubo de inseticida spray em sua tralha.

Num ataque de abelhas, espalhar o veneno em si próprio - roupas, corpo, cabelos, etc. - pois assim as abelhas, embora enfurecidas, ao sentar sobre o local para ferroar, fugirão já contaminadas pelo veneno e morrerão logo em seguida, sem atrair novas atacantes. As poucas que sobreviverem, informarão o “perigo de morte em encostar no invasor - que é você”.

O próprio cheiro do veneno, percebido a muita distância pelas abelhas, também provocará seu afastamento.

Para quem tem receio de passar inseticida em si próprio, pense nas respostas para as seguintes perguntas:

  • 1) Você já ouviu falar de alguém que morreu por passar inseticida em si mesmo por algumas horas?
  • 2) Você já ouviu falar de alguém que morreu por ferroadas de abelhas?
  • As respostas são óbvias. Você pode ficar com dor de cabeça ou levemente contaminado por inseticida, se demorar várias horas para conseguir tomar um banho após uma escalada ou após uma trilha na mata. Isso passa em um dia.
    Já levar dezenas de ferroadas - ou só uma para quem é alérgico - pode ser fatal.

    Outro aspecto a ser considerado é de que um enxame de abelhas nunca ataca as centenas no começo. Sempre começa com umas 05 a 10 abelhas batedoras que atacam o invasor, retornam para a colméia e “chamam” mais atacantes, e aí sim, vem centenas de agressoras. Eliminando as primeiras batedoras do ataque, você conseguirá tempo para escapar ou evitará um ataque maciço.

    Aos ecologistas e defensores da natureza que podem considerar a medida uma agressão desproporcional, afirmamos que a atitude pode também ser considerada uma “seleção natural” das abelhas, preservando as menos agressivas e eliminando os enxames mais agressivos.

    Não se trata de matar um enxame agressivo, mas eliminar as primeiras abelhas atacantes mais enfurecidas, que dificilmente chegarão até o enxame vivas para acionar um ataque maciço ou mesmo provocar sua extinção.

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    Como controlar o ataque de abelhas apis africanizadas

    sábado, 1 de novembro de 2008

    Métodos e técnicas para controlar o ataque de abelhas apis melífera africanizadas são necessários para garantir a segurança das pessoas alérgicas ao veneno.

    Fala-se apenas no gênero apis porquê ele é o grupo que provoca a totalidade de acidentes. Os outros gêneros como as vespas e meliponas, embora ataquem também, muito raramente provocam acidentes com grandes repercussões. Talvez porque as vespas sejam mais respeitadas e logo eliminadas pelos humanos (o medo é maior) e as meliponas, por não ter ferrão apenas conseguem fazer muita cócega e causar alguma irritação na pele.

    Já no caso das apis melífera, cujo gênero é o mais presente no Brasil, a maioria das pessoas não é afetada seriamente pelas ferroadas dessas abelhas. Na maioria dos ataques, embora possa receber um grande número de ferroadas (até um limite relativamente seguro de 30 picadas), a vítima “não-alérgica” sofre com fortes dores apenas na hora e no local da picada; inchaço e coceira intensa após algumas horas (algumas pessoas coçam tanto que chegam a formar feridas no local), mas, recuperam-se rapidamente em algumas horas ou em um ou dois dias (do inchaço e da coceira).

    No caso de um número superior a 30 picadas, mesmo a vítima não alérgica deve procurar ajuda médica, mais por precaução do que propriamente risco. Vale sempre o ditado: “Seguro morreu de velho.”

    Se sofrer um ataque de abelhas e receber uma grande quantidade de ferroadas, melhor dar uma passada em um pronto socorro ou farmácia, para verificações básicas da reação do corpo ao veneno.

    O problema são os alérgicos, que com apenas uma ferroada, podem até vir a morrer de complicações decorrentes da reação ao veneno. A esses, vale o ditado: “Abelha mansa é uma abelha morta ou bem distante de mim.”

    Definidos os dois grupos de risco - os não-alérgicos e os alérgicos - vamos aos procedimentos para controlar os ataques de abelhas apis africanizadas. Vamos dividí-los em dois grupos:

  • Como controlar o ataque de um enxame de abelhas africanizadas: técnicas e táticas para controlar e eliminar o ataque quando sabemos que é apenas um enxame ou que sabemos onde esta o enxame esta localizado.
  • Como controlar o ataque de umas poucas abelhas apis africanizadas: técnicas e táticas para minimizar o ataque ocasional de abelhas, como por exemplo, algumas abelhas que invadem sua casa, ou tentam te ferroar num bar ou num camping.
  • **Autorizada a reprodução em qualquer meio, desde que citada a fonte “http://miguescriba.com.br”

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    O ataque de abelhas africanizadas ao gado em volta do apiário

    segunda-feira, 20 de outubro de 2008

    Eram lá pelas três da tarde e eu, em pleno calorão de 35° estava revisando os enxames de abelhas para a colheita de mel, nos próximos dias.

    Tudo tranqüilo nessa época de novembro, em que como os enxames estão cheios de mel e trabalhando ativamente na colheita de pólen e néctar, as abelhas ficam bem mansas.

    Revisara oito colméias de abelhas africanizadas e faltavam apenas 02 daquele apiário.

    Entre a menor, que aparentemente não tiraria mel algum, por ser muito pequena – umas 35 mil abelhas – e a gigante, de umas 80 mil abelhas africanizadas, preferi revisar a pequena colméia, já que não daria muito trabalho.

    Deixei a maior para o final, pois geralmente grandes enxames dão um grande movimento de abelhas e chegam a assustar pelo zumbido que fazem, quando estão estressadas pelo manuseio dos caixilhos repletos de mel.

    Mal abro a pequena caixa e vem a surpresa!

    Embora tenha adotado todas as providências necessárias – fumaça, intervalo para acalmar, nenhum barulho, etc. – sou surpreendido por um ataque maciço de abelhas enfurecidas. Em um minuto, estava preto de abelhas nos braços, nas luvas, no véu da máscara, que quase me tampavam a visão.

    Nem entendi direito, mas apicultor que é galo, não se amedronta com agressividade injustificada.

    Sempre existe um motivo para tal agressividade e devemos agir para sanar o problema.

    Depois da surpresa inicial, retomei a calma peculiar no trato das abelhas melíferas. Às vezes, você se assusta porque esta tão acostumado com a mansidão, que estranha até mesmo ter sido ferroado.

    Passados alguns minutos, ao retirar alguns caixilhos descubro inúmeras realeiras prontas para nascer, e embora tenha verificado exaustivamente, não identifiquei postura da rainha e tampouco achei a “dita cuja”. Estava explicada a agressividade!

    A rainha devia ter morrido há alguns dias e elas estavam desesperadas para proteger as novas “futuras candidatas” que estavam prestes a eclodir das células reais. Nessa época, o stress das abelhas é altíssimo, transformando qualquer enxame manso em verdadeiras “diabinhas de asas”.

    Enquanto fazia a revisão, ouvi várias pancadas secas e não sabia o que era. Terminada a revisão daquela colméia, pretendia revisar o último enxame, mas ao dar uma olhada panorâmica pelo apiário, chamou-me a atenção diversos bois e vacas pinoteando em volta do apiário, inclusive alguns estavam amarrados numa estrebaria a uns 200 metros do apiário. Era dali que vinham as batidas.

    Na confusão criada pela abertura do pequeno enxame, as abelhas alçaram vôos a longa distância e ao encontrarem o gado “suado e cheirando”, foi um “Deus nos acuda!” Acharam até galinhas e marrecos para atacar. As aves bateram em pernas para o capoeiral e se livraram das agressoras.

    Os bois que estavam soltos, saíram pinoteando pelo campo, mas umas quatro vacas que estavam amarradas no estábulo, estavam sendo duramente atacadas. Não teriam salvação se eu não socorresse as coitadas.

    Larguei tudo no apiário e desviando de algumas reses que disparavam e pinoteavam pelo pequeno potreiro, cheguei na estrebaria e a muito custo, consegui soltar as vacas que corcoveavam, coiceavam e chifravam as paredes do estábulo, tentando fugir das picadas das abelhas.

    O mais grave do ataque de abelhas africanizadas (com genes de abelhas africanas) ao animais é que elas procuram a área dos olhos e do focinho para ferroar. Parecem saber que ali é mais dolorido, mas na verdade é um instinto ancestral. Os olhos piscam e refletem as nuances de luz e o focinho exala um cheiro desagradável – ambos irritam profundamente as abelhas. Aí esta o motivo da concentração de ataque nesses locais.

    Soltas as vacas, o ataque continuava aos outros animais, porque o espaço do potreiro era pequeno e com poucos matagais onde os animais pudessem se esconder. Eles corriam em um longo círculo, mas acabavam passando perto do apiário novamente e novas abelhas atacavam os coitados.

    Tomei uma medida drástica que me fez perder produção, mas garantiu a salvação dos animais. Fechei todas as colméias com serragem nos alvados, perturbando a colheita, mas reduzindo a saída de novas atacantes.

    Aí, fumaciei o apiário todo com o fumigador de fumaça, gastando umas três cargas de serragem, que se alguém enxergasse de longe pensaria que era um incêndio. Com a fumaça excessiva, não restou outra opção ao enxame alucinado retornar à sua colméia para salvar alguma coisa do “suposto incêndio”.

    Foram cerca de 2 horas de uma correria incessante, até que a situação acalmou. Restaram apenas umas dez cabeças de gado, com dezenas de ferrões nos olhos e focinhos, que chegou a dar pena dos bichos. E não havia o que fazer para ajudá-los.

    Depois dessa, aprendi a lição. Ao ser duramente atacado por um enxame de abelhas – pequeno ou grande - desisto da revisão na hora e só retorno bem no fim da tarde, porque assim, embora ainda possa ocorrer o ataque das abelhas, logo escurece e o transtorno é menor. No dia seguinte, amanhecem “mansinhas da silva.”