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Como devemos ouvir as crianças e procurar entendê-las

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Ontem, cheguei de viagem após 4 dias sem ver minha princesinha de 2 aninhos. A Bélli!

Quando avisei por telefone que estava chegando, ela já cantou a lista de atividades: - “Tau-tau”, “Masti”, “Mimi”, “Futa”, “Batata”, “Suco”, “Bala”, “Vovô”.

É o script do seu passeio preferido. O “Tau-tau”.

Ir ao Master, ver os bichos (principalmente os gatos), passear pelos corredores do mercado e “têm que comprar frutas, danoninho e balas”. Depois de passar no caixa, a parada é nas lanchonetes para comer batatinha frita e tomar suco de laranja.

Depois, se despedir do “Mimi” e ir para casa do Vovô Chico. Dar “mamã” para os peixes do papai, andar na calçada com seu carinho de pedal, dar “boa-noiti” à todos e ir para a casa da mamãe.

Pois o inusitado desse passeio, acabou sendo o final.

Ao entrar na casa da mamãe, ela me puxou pela mão e disse:
- “Papai! Água!”

Como sempre, peguei um copo e fui buscar uma garrafa de água mineral no armário da despensa. E ela como sempre me seguiu. Abri o armário, peguei a água e quando dei um passo em direção à cozinha, ela apontou:

- “Papai, papai!” E apontava para uma garrafa de Coca-Cola do armário.

Obviamente, lhe disse: - “Não Bélli, isso é do papai. O bebezinho não pode tomar. Só quando ficar grande.”

E a figurinha continuou apontando: - “Papai! Papai! Papai!” e vendo minha imobilidade emendou: - “Papai! Copo! Papai!”

Ainda sem entender, a contragosto caminhei para a cozinha, peguei outro copo e falei para ela: - “Não pode meu amor. É só gente grande que bebe isso. É do papai.”

E ela, impassível, ao lado da Coca-Cola: - “Papai! Gelo! Papai!”

Como ela gosta de por um gelo na água, peguei uma pedra de gelo na geladeira e lhe ofereci o copo de água com o gelo.

Ela recusou. Com uma coordenação impressionante, apontou para a Coca-Cola do armário, para a geladeira, para o copo vazio e falou:
- “Papai, gelo, copo”.

Confesso que fiquei com os olhos cheios d’água. Como um toquinho de 2 aninhos conseguiu pedir que eu a acompanhasse bebendo Coca-Cola, enquanto ela bebia sua água?

Enquanto eu enchia meu copo de Coca-cola sobre o gelo, ela juntou as mãozinhas, gargalhou e deu uma tremidinha característica, do jeito que faz quando esta extremamente feliz.
Confesso que aí, as lágrimas correram dos meus olhos, (como também estão correndo agora).

Disfarcei, enxuguei as lágrimas e com a voz embargada fiz “tim-tim” no copo de água dela. Bebi minha Coca-Cola, enquanto ela tomava sua água. Ela bebia um gole, me olhava, ria e bebia novamente.

Foi a melhor Coca-Cola da minha vida.

Depois, fiquei pensando o quanto devo ouvir e compreender mais minha pequena, antes de julgá-la como “apenas uma criança”.

- “Será que eu vou ser capaz de dar todo o amor que esse anjinho merece?”

A velha espingarda e o desarmamento!

sábado, 27 de setembro de 2008

Pois é! Passamos por alguns sufocos nos últimos dias. Eu e meu irmão, andando com uma velha espingarda no carro. Resolvemos entregá-la na campanha do desarmamento. Nosso pai deu o último tiro num gambá (raposa aqui no Sul) a cerca de 25 anos atrás - ele só a usava para isso. Depois guardou no forro da casa para não ser roubada e nunca mais usou. Por ser idoso e meio teimoso, não queria “entregar a arma para o governo” de jeito nenhum.

Por esses dias, tivemos que desmanchar a casa antiga do nosso pai em outra cidade porque estava velha e desabando e não teve outro jeito. Optamos por entregar a arma na campanha do desarmamento. Junto com a espingarda, estava uma caixa de munição, repleta de cartuchos mofados e corroídos pelo tempo.

Já havíamos pego uma guia na Polícia Federal para transportar a espingarda e a munição para a cidade da residência do meu irmão, e depois outra guia para transportar para a Polícia Federal de Passo Fundo, que receberia a arma.

Só que nesse final de semana, meu irmão pernoitou na nova residência do pai, tendo que guardar o carro num posto de gasolina e como tinha medo que a espingarda pudesse ser roubada, colocamos no meu carro.

Quando estava saindo, lembrei que se eu levasse a espingarda no meu carro e fosse parado numa blitz, a guia estava autorizando o meu irmão e não a mim. Eu obviamente seria preso.

Tivemos que fazer um verdadeiro planejamento de guerra, para que pudessemos levar a espingarda para o meu apartamento com dois carros, deixamos ela guardada lá e voltarmos ao posto de gasolina para ele guardar o carro.

No dia seguinte, tivemos que fazer toda a operação inversa para que não tívessemos problemas. Feita toda a troca, meu irmão retornou à sua cidade com a arma e a guia.

No dia seguinte, ligou-me informando que tudo havia saído bem, conseguindo entregar a arma sem problemas.

Não pudemos deixar de comentar o quanto tínhamos nos sentido criminosos transportando uma arma, mesmo cumprindo a lei e nos desfazendo de algo que pode ser mais perigoso se estiver em mãos erradas ou for mal usado, do que entregue para destruição na Polícia Federal.
Lembramos das milhares, talvez milhões de armas que estão nas mãos de criminosos, dos quais ninguém faz “campanha de desarmamento” nos bairros, nas favelas e até nos presídios, que as vezes tem mais armas do que os agentes penitenciários.

Dicas - Como estimular o bebê a engatinhar e andar de maneira bem simples

domingo, 14 de setembro de 2008

Uma das coisas que me fascinava era o aprendizado do bebê a engatinhar e depois andar. Então, desenvolvi um método até engraçado para estimular minha princesinha de 9 meses. Vou compartilhá-lo em vários post, como uma série, para ficar mais claro.
Como entendo que preciso aprender muitas coisas para ser um bom pai, fico constantemente lendo e relendo todo tipo de assunto que se relacione ao desenvolvimento dos filhos e à sua educação. Além disso, procuro sempre encaixar algumas técnicas e conceitos aprendidos ao longo da vida, afinal nem tudo esta escrito nos livros e experiência também conta.

Atividade 01 para começar a engatinhar

Quando ela ficava de barriga para baixo, apoiada nos bracinhos, não tinha força para arrastar-se só com as mãos, porque ainda não se impulsionava com os joelhos. Então, eu deitava ao lado dela no tapete da sala e me arrastava, imitando sua posição e chamando atenção dela para o movimento que fazia com os braços e as pernas, para impulsionar-me.

Minha esposa e meus sobrinhos riam daquele marmanjão tentando se arrastar pelo chão, fazendo força e barulho para chamar a atenção da bebêzinha, mas que funcionou, funcionou.

Eu também mostrava o movimento coordenado de alternar braços e pernas para ela conseguir engatinhar. Repetia dezenas de vezes, sempre brincando muito.

Para estimulá-la, colocava uns 50 cm na sua frente, uma bolinha colorida com a qual sempre brincava. Então ela se esforçava para alcançar a bolinha. À medida que progredia, aumentava a distância da bolinha.

Como eles copiam tudo que vêem, em dois dias, começou a fazer a alavanca com o joelho e a impulsionar-se para frente. No começo era uma tartaruguinha, mas um mês depois, parecia uma lebre. Em segundos sumia da sala.

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