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A colméia das abelhas apis melífera

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Um enxame de abelhas apis melífera vive em um ambiente chamado de colméia. Ela pode estar instalada em qualquer espaço físico de qualquer formato e sob qualquer condição atmosférica ou geográfica.
Na natureza é mais comum encontrar colméias em troncos ocos de árvores, mas também encontramos colônias de abelhas em buracos de tatu, em lajes de pedras ou em casos mais raros, ao relento, em forquilhas de árvores ou sob galhos frondosos.
Na cidade, é comum instalar-se em forros de paredes de madeira e na caixa do telhado das casas.
Na moderna apicultura, utiliza-se caixas de madeira com espaço interno cúbico, variando em algumas medidas quadradas ou retangulares, mas todas com o mesmo princípio.
A colônia de abelhas africanizadas é constituída de apenas 01 rainha, uns 2 ou 3 mil zangões (machos) e sempre milhares de operárias – de 20 até 80 mil abelhas. Conforme o clima for mais rígido, esse número de zangões e operárias reduz sensivelmente, chegando uma colméia ao extremo de expulsarem todos os machos da colméia, vindo todos a morrer de fome e frio.
A rainha é fecundada apenas uma vez na vida, por um ou mais zangões em um vôo nupcial em que a mesma voa vertiginosamente para o alto, sendo perseguida pelos zangões atraídos pelo cheiro do feromônio da rainha, em um raio de até 2 km. Os mais fortes e rápidos conseguem alcançar a rainha e copular com ela. Ao copularem, perdem os seus órgãos sexuais e morrem.
Fecundada a rainha, a mesma retorna ao local onde o enxame esta alojado e inicia a postura de algumas centenas a até 3.000 ovos por dia, nas épocas mais fartas de flora apícola.
À medida em que vai se aproximando a época da primavera e verão, ápice das florações, a rainha vai instintivamente aumentando sua postura diária, fazendo com que o enxame progressivamente tenha mais operárias. Por questão de instinto, a rainha pode nas épocas mais fartas de mel, por ovos de zangões para permitir a perpetuação da espécie. Nas épocas de inverno e escassez de flores, a postura de zangões é praticamente inexistente.
Com o aumento do alimento e o crescimento do volume de abelhas trabalhadoras, o enxame vai progressivamente ampliando instalações, arrecadando mais alimentos e assim, estimulando a postura da rainha, que coloca mais ovos por dia. Gera-se assim, um círculo de estímulo ao crescimento contínuo do enxame.
Passados 21 dias da postura, nascem as abelhas operárias que iniciam uma jornada imediata e contínua de trabalho até morrer, geralmente extenuada pelo trabalho no campo. Sua primeira tarefa é limpar a célula – alvéolo – onde nasceu e a partir daí, desenvolve inúmeras tarefas de babá, alimentadora, faxineira, sentinela, coletora de água, néctar ou pólen. Essa jornada de trabalho no verão leva uma abelha à morte em cerca de 30 dias ou menos, dependendo do volume de trabalho no campo. Uma operária em plena época de floração, pode fazer 50 km em idas e vindas do campo de flor até sua colméia em apenas um dia. No inverno, as abelhas operárias chegam há durar seis meses, porque não saem de casa por causa do frio, chuva e falta de flores.
Logo que saí a campo, a abelha tem uma determinada tarefa a cumprir – buscar água, buscar néctar ou pólen. Todas são trabalhadoras e exploradoras ao mesmo tempo. Quando saem para coletar algo e descobrem uma fonte de néctar ou pólen no caminho, ao retornar com a água, indicam a localização geográfica do alimento, com precisão de centímetros.
Elas fazem uma coreografia, chamada de “dança das abelhas”, cujos movimentos são sincronizados com a posição do sol e a posição da fonte de alimento. Indicam a posição geográfica, o tipo e a quantidade de alimento encontrada. Dessa forma, dezenas de outras operárias irão até o local coletar o alimento indicado pela abelha dançarina, seja água, pólen ou néctar.
Isso explica porque ao deixarmos um pote de mel aberto no inverno, surge uma abelha e minutos depois, quatro ou cinco e meia hora depois serão 500 abelhas.
Da mesma forma, ao serem incomodadas, as abelhas executam a mesma dança alertando a posição geográfica do inimigo, aliada a secreção de um feromônio indicador de perigo, que dispara um ataque de abelhas maciço e coordenado contra o invasor.
O agricultor no campo conhece bem essa situação, já que ao bater a enxada, atraí algumas abelhas ao local, irritadas com a vibração da batida da enxada. Se tentar espantar as abelhas com tapas, o que é bem comum, algumas voltam para a colméia e disparam o ataque das abelhas sobre o coitado. Só lhe resta correr e cancelar o trabalho naquele dia.
No processo de coleta de néctar ou pólen, as abelhas fazem voluntariamente a polinização das flores gerando a frutificação das plantas visitadas, não importa se cereal, árvore, capim ou erva-daninha. Como possuem um instinto ancestral de visitarem a cada viagem, sempre flores da mesma espécie, as abelhas ao pousar sobre uma flor acabam esbarrando no pólen e no órgão reprodutor da flor e ficam “sujas” desse pólen em suas patas cheias de pelinhos.
Ao pousar na próxima flor da mesma espécie, novamente esbarram no pólen e no órgão reprodutor da flor, fecundando-o com o pólen da flor anterior e assim sucessivamente, gerando a fecundação e a produção de sementes ou frutos.
Esse processo chega a incríveis 10 mil flores por dia visitadas num único dia por uma abelha.